O deputado federal Aécio Neves escapou nesta quarta-feira (21) de dois pedidos de expulsão do PSDB. As solicitações haviam sido feitas pelos diretórios do partido do Estado de São Paulo e da capital paulista. Em reunião que aconteceu a portas fechadas, em Brasília, os dois pedidos foram recusados pela Executiva Nacional do PSDB.

O relator dos processos, deputado federal Celso Sabino (PSDB-PA), emitiu parecer contra a expulsão do tucano mineiro. Ele foi acompanhado por 30 integrantes da Executiva. Outros quatro foram contrários ao parecer (a favor da expulsão). Houve uma abstenção.

Segundo informações do partido, em seu relatório, Sabino afirmou que não foram encontrados elementos que justificassem a abertura do processo de expulsão.

Aécio compareceu à reunião e, em entrevista ao site do jornal “O Globo”, afirmou que a decisão foi “serena e democrática” e que “respeitou o estatuto do partido”.

Nos bastidores do ninho tucano, o arquivamento dos requerimentos está sendo considerado uma derrota do governador de São Paulo, João Dória, que lidera a chamada “faxina ética” no partido. Em diversas oportunidade, Dória defendeu o afastamento de Aécio publicamente. Ao lado dele, estavam nomes como o prefeito da capital paulista, Bruno Covas (PSDB), que chegou a ameaçar sair do partido caso Aécio continue filiado. Ontem ele não se manifestou sobre o assunto.

Ainda há um terceiro pedido de expulsão de Aécio Neves do PSDB, elaborado pelo diretório municipal de São Bernardo (SP), mas ele não chegou a ser apreciado ontem e não há data prevista para que isso ocorra.

Acusações

Entre as motivações para os requerimentos de expulsão do tucano está o fato de Aécio ter se tornado réu no ano passado, no processo em que foi gravado pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS, para pagar advogados que defenderiam o tucano na Lava Jato. Um dos pedidos de expulsão contra Aécio citava a gravação, “cujo teor não deixa dúvidas sobre a afronta às regras de ética e disciplina do partido”, segundo o documento assinado por Marcos Vinholi, presidente do PSDB no Estado de São Paulo.

Alguns aliados de Aécio, porém, já defendiam que o processo de expulsão não poderia acontecer antes de uma eventual condenação na Justiça.