A empresária Delorme Salomão deseja aproveitar os descontos da Black Friday, que no Brasil ocorre na última sexta-feira de novembro, para comprar um novo aparelho de televisão para a família: “Quero tipo 44 polegadas. O preço normal está em torno de R$ 1,5 mil. Vou pesquisar as ofertas nas lojas”.

Assim como ela, metade dos belo-horizontinos entrevistados que vão às compras na data irá desembolsar mais de R$ 500, quantia que anima os lojistas. A estatística faz parte de uma pesquisa da Fecomércio junto a empresários e clientes da capital.

O levantamento apurou que 40% dos consumidores da cidade irão se render à Black Friday. Destes, 50% vão comprar produtos e serviços acima de R$ 500.  “Além das compras planejadas, a data favorece o consumo pela oportunidade, tornando-se um bom momento para que o comércio invista em ações para atrair o consumidor, que, mesmo sem planos de compras, procura por preço e variedade de produtos”, analisou o economista-chefe da Federação, Guilherme Almeida.

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Laura Rosa vai reservar entre R$ 600 e R$ 700 para investir na compra de uma cama durante as promoções

De acordo com a sondagem, os artigos mais procurados serão os eletrônicos (30,1%) e eletrodomésticos (21,2%). Em seguida, o conjunto roupas, calçados e acessórios (19,9%), ramo em que atua Delorme, a empresária que pretende comprar um aparelho novo de televisão. Ela é proprietária de uma marca de moda feminina e conta que muitas clientes já entraram este mês em sua loja sondando como será a Black Friday no local.

“Muitas clientes querem saber como será a data aqui na loja. Estamos planejando”, disse a empresária, cujo estabelecimento é vizinho à loja em que Laura Rosa presta serviço. Ela também planeja ir às compras na data. “Preciso de uma cama nova. Se o preço estiver convidativo, vou gastar de R$ 600 a R$ 700”.

Três em cada dez lojas que irão participar da campanha vão oferecer descontos acima de 45%. Conforme a Fecomércio, entre os empresários, 36,3% já se planejaram para a Black Friday, sendo que 15,1% oferecerão descontos acima de 50%.  Já 20,4% decidiram reduzir os preços entre 45% e 50%. 

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A empresária Delorme Salomão planeja comprar uma televisão de 44 polegadas: “vou pesquisar as ofertas nas lojas”

Seis em cada dez consumidores afirmaram que, mesmo sem planejar, poderão sair com as sacolas cheias das lojas se os descontos forem atrativos. Por isso, especialistas recomendam aos comerciantes que forem participar da campanha que tenham estoque suficiente.

“O percentual de lojas participantes deverá ser maior, uma vez que, até a realização da pesquisa, um expressivo número de empresas ainda não havia definido as iniciativas para a data”, explica Almeida. 

As pessoas ainda esperam encontrar maior variedade de marcas e produtos (14,6%), além de facilidade de pagamento (25%).

 

Lojistas vão aproveitar a data para desovar estoques

A Black Friday poderá ser o Natal antecipado para muitas famílias de Belo Horizonte. Pelo menos é o que sugeriram quatro em cada dez entrevistados pela Fecomércio-MG: 42,7% dos clientes querem aproveitar os descontos para garantir os presentes das festas de final de ano.

Atentos a isso, muitos lojistas vão aproveitar a data para desovar estoques, sobretudo de coleções passadas, no caso das lojas de moda.

Aproximadamente 24% das empresas que vão participar da campanha planejam lucrar ao menos 25% na data.

Segundo a Federação, “as principais ações ocorrerão nos segmentos de outros artigos de uso pessoal e doméstico; tecido, vestuário e calçados; móveis e eletrodomésticos; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos e equipamentos e materiais para escritório, informática e de comunicação”.

Algumas empresas planejam ampliar o número de colaboradores temporários, já emendando os novos ajudantes para a temporada de dezembro, de olho no Natal, a principal data para o varejo brasileiro.

Mas não é só por causa da Black Friday. A resposta está num conjunto de fatores, como a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que começou em setembro, e das reformas em tramitação no Congresso Nacional, que agradaram o empresariado.

O cenário de otimismo foi identificado pela própria Fecomércio em uma sondagem recente com comerciantes. 

Pelo terceiro mês consecutivo, o chamado Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de Belo Horizonte engordou. O indicador chegou aos 115,2 pontos e ultrapassou a fronteira do otimismo (acima de 100 pontos), marca mantida durante o ano de 2019. 

A estatística da entidade, Letícia Marrara, analisou que esse desempenho reflete o cenário positivo para o varejo no segundo semestre. “O último trimestre é marcado por eventos como a Black Friday, a entrada dos recursos do 13º salário no mercado e as compras de Natal. Para atender esse movimento, os empresários buscam investir e diversificar suas lojas, apostando tanto na contratação de empregados quanto na renovação dos estoques”.

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