A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) classificou como “complexo” o ato de concentração que prevê a compra de 100% do capital social do HSBC Serviços e Participações pelo banco Bradesco. Com isso, o órgão antitruste decidiu aprofundar a análise do negócio por meio de novas diligências. A declaração foi publicada nessa segunda (1º), no Diário Oficial da União (DOU).

O entendimento da Superintendência é que “a instrução realizada até o momento apontou que a operação eleva o nível de concentração bancária, gerando a necessidade de se analisar, de forma cuidadosa, a eventual propensão a aumentos de preços para os consumidores na oferta de produtos e serviços financeiros e não financeiros”.

O assunto foi tratado pelo Hoje em Dia no último dia 24 de janeiro, quando o jornal mostrou os efeitos da concentração bancária sobre tarifas e serviços.

Hoje, segundo a consultoria Austin Asis, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa e Santander são donos de 83,6% das operações de crédito feitas no país. Em 1994, para efeito de comparação, esse valor era de 56,8%. Os mesmos bancos concentram também 85% dos depósitos realizados no país. Em 1994, esse percentual era de 48%.

Dentre as novas diligências, será solicitado ao Departamento de Estudos Econômicos do Cade a elaboração de estudo quantitativo a respeito de impactos concorrenciais decorrentes da operação. As empresas terão de apresentar, a critério delas, as eficiências econômicas geradas pela operação. Além disso, as companhias também poderão apresentar estudos quantitativos ou qualitativos que possam mitigar as eventuais preocupações concorrenciais identificadas pela Superintendência-Geral. A Superintendência ainda avisa na lista das providências que está aguardando “informações diversas já solicitadas às requerentes e concorrentes do mercado e ainda pendentes de resposta”.

Com o aprofundamento da avaliação do negócio, a Superintendência-Geral do Cade informa que, se for o caso, poderá pedir ampliação do prazo de análise da operação, que foi notificada ao órgão em novembro do ano passado.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que uma das razões para o crescimento da concentração bancária é a onda regulatória ocorrida depois da crise financeira internacional, iniciada nos Estados Unidos, em 2008. (Com agências)