O prefeito Marcio Lacerda, que na sexta-feira (5) anunciou redução de 15 centavos nas tarifas de ônibus em Belo Horizonte, precisa ajudar o Ministério Público a abrir a “caixa preta” da BHTrans. O objetivo é entender por quais motivos o preço das passagens é tão caro e os serviços prestados pelas concessionárias tão ruins como alegam os que têm feito manifestações nas ruas. Ou pelos que, como protesto, ocuparam as dependências da Câmara Municipal, ameaçando não sair antes que uma solução seja apresentada pelo prefeito.
 
Não há justificativa para a BHTrans declarar, como fez na quinta-feira, que “não está disponível” a informação solicitada pelo Hoje em Dia, para ter acesso às propostas comerciais apresentadas pelas empresas de ônibus que se inscreveram na licitação aberta em 2008 para a escolha das concessionárias que prestariam esse serviço público até 2028. Mantê-las em sigilo reforça a suspeita de que a escolha não foi bem feita – e os usuários pagam caro por isso. 
 
O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que era prefeito na ocasião e pode ser o candidato petista ao governo de Minas em 2014, deve ter interesse também no esclarecimento do caso. Ele deveria ser o primeiro a exigir a correção do erro, se a empresa municipal tiver errado. Se não errou, é mais um motivo para que a BHTrans seja mais transparente, para que não restem dúvidas.
 
O problema das tarifas dos ônibus urbanos não se restringe à capital mineira. Os protestos de usuários ocorrem em várias cidades e regiões do Brasil. Mas em Belo Horizonte, há uma sensação difusa de irresponsabilidade da BHTrans, reforçada pela leitura de seu site na internet, no item intitulado “Gestão do transporte público por ônibus”. 
 
O texto informa que, como parte do contrato de concessão resultante da licitação ocorrida em 2008, “a obrigatoriedade da implantação de sistemas informatizados de controle operacional com informação em tempo real para os usuários e para o acompanhamento de deslocamento de frota, controle de receita, localização de veículos, identificação de pontos de estrangulamento no trânsito, entre outros, tudo sob responsabilidade das Concessionárias”.
 
Diante disso, é de se perguntar: qual a responsabilidade da BHTrans? Ela pelo menos fiscaliza o cumprimento dessas responsabilidades pelas empresas de ônibus? Qual sua participação na receita proveniente do transporte público? Será que essas informações também não estão disponíveis?