A diarista Rosângela Silva, de 31 anos, foi a uma agência da Caixa no bairro Alípio de Melo, região Noroeste de BH, em 8 de junho, após fazer faxina em uma casa nas imediações, para pegar a primeira parcela de R$ 600 do auxílio emergencial do governo federal durante a pandemia. Após meia hora na fila, retirou toda a quantia. “Foi rápido e fácil, apesar do risco de ficar em aglomerações”, diz ela.

Nas últimas duas semanas, Rosângela tenta, mas não consegue, de maneira alguma, obter sucesso ao acessar a segunda parcela pelo aplicativo “Caixa Tem”, instalado no celular. O sistema desenvolvido pelo banco deveria permitir aos beneficiários do “coronavoucher” fazer transferências e pagamentos de contas e boletos com muito mais praticidade, sem atropelos e, claro, evitando a ida a agências. 

Mas as queixas entre milhões de brasileiros que baixaram o software, simplesmente, não param. “Estou tentando usar o app há duas semanas e nunca dá certo. Cheguei a ficar, em algumas vezes, até quatro horas na fila virtual para entrar. Quando consigo, não aceita o pagamento ou cai e tenho que começar tudo de novo”, afirma a diarista.

Rosângela só poderá fazer o saque da segunda parcela em setembro, em razão do calendário da Caixa, baseado no aniversário dos usuários. “É muito frustrante você ter os R$ 600 e não poder usar. Quem vai pagar minhas contas até setembro?”, desabafa.

A infografista Patricia Silva também diz não suportar mais as horas de espera para entrar no “Caixa Tem”, onde ficou de pagar contas a pedido de uma parente que não tem afinidade com a tecnologia. “Desde quinta-feira da semana passada tenho tentado acessar, inclusive varando algumas madrugadas. É muito desrespeito”, conta. 

O mesmo problema é vivido pela babá Márcia Pereira, de 51 anos, e pelo filho Samuel, de 25, incumbido por ela de acessar o sistema pelo celular. “Nas duas primeiras parcelas que minha mãe recebeu, houve dificuldades, mas nada se compara ao que está acontecendo desta vez. Há uma semana estamos tentando entrar no app para pagar contas, sem sucesso”, diz Samuel. 

Procurada, a Caixa admitiu, por nota, que o aplicativo “Caixa Tem” pode sofrer “intermitências momentâneas em alguns serviços”. O motivo seria a magnitude de acessos, uma “média de 500 mil usuários por hora”. “O banco informa ainda que os clientes e beneficiários estão conseguindo efetivar suas operações. No acumulado já são cerca de 40 milhões de usuários únicos, mais de 1,2 bilhão de consultas de saldo/extrato, 17,7 milhões de boletos pagos e 3,5 milhões de compras utilizando as maquininhas/QR Code”, sustenta o comunicado.

Durante live na Internet, ontem, o vice-presidente de Tecnologia e Digital da Caixa, Cláudio Salituro, informou ainda que o banco adquiriu e implantou um programa dinamarquês de gerenciamento de filas virtuais, “amplamente usado no mundo”. Com isso, Salituro garantiu, os problemas devem diminuir.