A eletrificação dos automóveis ainda engatinha no Brasil. O preço elevado ainda pesa na hora de comprar um carro elétrico. No entanto, no setor de transporte, a lógica é inversa. Cada vez mais empresas investem em caminhões sem motores a combustão, pensando não no valor da etiqueta, mas no impacto do custo operacional. 

Recentemente, a Volks-wagen Caminhões e Ônibus, braço do Grupo VW, lançou no Brasil o e-Delivery. O caminhão elétrico desenvolvido na unidade de Resende (RJ), chegou com duas versões 11 e 14 toneladas de Peso Bruto Total. Com preços que partem de R$ 780 mil, a tiragem inicial de 100 unidades foi vendida em menos de um mês.

As razões de se pagar preços semelhantes a de um extra-pesado num caminhão de eixo duplo se dá pela economia a médio e longo prazo. A cervejaria Ambev participou do processo de desenvolvimento do e-Delivery e fechou compra de 1.600 unidades até 2025. 

A versão mais simples do caminhão roda apenas 110 km com uma carga de bateria. Já a versão de 14 toneladas pode rodar 250 km com uma única carga. Na operação da cervejaria os veículos serão utilizados na distribuição de bebidas no centros urbanos. 

A Coca-Cola também encomendou os caminhões elétricos da VW para a mesma finalidade. Nos dois casos, a razão da aposta pelo elétrico se dá na neutralização de carbono. Segundo a gigante dos refrigerantes, com as 20 unidades encomendadas espera deixar de emitir 12,6 toneladas de dióxido de carbono ao ano. 

Para se ter uma ideia, para neutralizar todo esse volume de poluentes despejados na atmosfera, seria necessário o plantio de 2.232 árvores para “filtrar” a fumaça. “Nosso objetivo é sermos líderes em mobilidade sustentável, gerando uma redução significativa na emissão de poluentes”, aponta o CEO da Coca-Cola, Ian Craig. 

Bolso

Outro fator que as empresas de transportes estão de olho é no custo operacional. Economizar o diesel e peças de reposição compensam o custo elevado do caminhão elétrico. 

Foi o que fez o Grupo Emtel, de Belo Horizonte. A empresa de logística fez sua primeira aposta num caminhão elétrico e espera ver o custo do investimento ser diluído a médio prazo. “Apesar de ser um veículo mais caro, o custo operacional é bem mais baixo. O conjunto de baterias roda até 900 mil km. Isso sem a necessidade de trocar filtro de óleo, lubrificante, bomba injetora de diesel. Além disso, o consumo com eletricidade equivale a 10% do gasto com diesel”, explica o diretor comercial e operações do grupo, Luciano Miranda.

A empresa comprou um modelo JAC iEV1200T. O modelo chinês é oferecido com versões de 7,5 e 8,5 toneladas de peso bruto total (PBT), que garante carga líquida de 4 e 5 toneladas. Segundo a marca, o modelo, que parte R$ 390 mil, é equipado com motor de 120 kgfm de torque e autonomia de 250 km.

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