No dia 19 de dezembro último, os deputados estaduais mineiros aprovaram o projeto de lei anunciado dois meses antes pelo governador Antonio Anastasia, para incentivar a compra de caminhões novos e retirar das rodovias mineiras os 94 mil que têm mais de 30 anos de uso. Ontem, informou-se que o Programa Estadual de Incentivo de Renovação da Frota começa a sair do papel.

Quando se sabe que muitas leis ficam esquecidas e que bons programas de governos têm o péssimo hábito de não serem executados, é de se comemorar a eficiência, nesse caso. Parece indiscutível o benefício dessa lei, a começar pelos usuários das rodovias mineiras. Com os caminhões velhos sendo consumidos nos altos fornos das siderúrgicas que aderiram ao programa, reduzem-se os riscos de acidentes. Estatísticas mostram que em muitos deles se envolvem caminhões, verdadeiras sucatas ambulantes.

A Waldir Transportes, de Contagem, se destaca por ser a primeira a trocar um caminhão com 36 anos de estrada – que calcula valer como sucata R$ 2 mil – por uma carreta zero quilômetro de 440 cavalos de potência e que custa R$ 315 mil. A empresa quis pagar metade à vista e financiar o restante. Vai receber um certificado que concede isenção do IPVA desse caminhão por 10 anos, num total aproximado de R$ 30 mil.

Não é pouco. Vai economizar também em combustível e na manutenção do veículo, nos próximos 10 anos. “Os benefícios valem muito a pena”, disse Armando Moura, sócio da transportadora. O Stralis, da Iveco, uma das montadoras que aderiram ao programa, será usado para trazer a Minas porcelanatos produzidos em Santa Catarina. A viagem ficará mais segura e confortável com o novo caminhão.

Quando propôs o programa, seguindo o exemplo dos governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro, Anastasia – que amanhã deve se desincompatibilizar do governo para as eleições de outubro – esperava que 10 mil caminhões velhos registrados no Detran mineiro se transformem em sucata a cada ano. Com isso, é possível que em menos de 10 anos a frota esteja renovada.

Desde que os caminhões velhos saíram da montadora, a indústria evoluiu muito. O consumo de combustível é menor e os veículos poluem menos e são mais resistentes. A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, por exemplo, está anunciando que desenvolveu em parceria com a Rossetti um projeto inovador de caçambas de aço microligado ao nióbio que aumentam a capacidade de carregamento e reduzem o custo de transporte. As novas caçambas já estão sendo usadas para o transporte de minério em Araxá.

Programas como esses são um incentivo para a indústria. Que, por sinal, está indo bem neste ano, em comparação com 2013. Nos dois primeiros meses, segundo o IBGE, o setor industrial cresceu 1,3%, com destaque para a indústria automobilística.