O emprego da tecnologia para aprimorar serviços e, como uma das consequências, a maior participação popular na administração municipal. Esse é o conceito de “cidade colaborativa” por trás da proposta de governo de Luísa Barreto (PSDB) para a Prefeitura de Belo Horizonte. Sexta entrevistada pelo Hoje em Dia na série de lives com os candidatos a administrar a capital, ela disse ver a cidade abandonada pela atual gestão, que teria acostumado a população a acreditar que não é necessário fazer mais.

“BH está parada no tempo, não é feito nada de diferente, as pessoas que estão aí têm medo de fazer. Sou completamente apaixonada pela nossa cidade e quero trazer o olhar do desenvolvimento, de uma cidade que deve crescer todo o tempo e ser uma capital viva e que traga cada vez mais oportunidades para todos”, resume. Dizendo-se disposta a se valer do diálogo numa eventual gestão, ela acredita que a participação popular é um dos segredos para torná-la ainda mais efetiva. 

“Queremos que BH encontre soluções em conjunto com as pessoas que moram nela. As pessoas atualmente têm muita dificuldade de participar, elas querem ser ouvidas pela prefeitura. A cidade colaborativa traz a chance de as pessoas mostrarem sua visão da cidade para a solução dos problemas. A tecnologia é um importante aliado dos governos, já que traz soluções rápidas com custos relativamente baixos. A tecnologia vai permitir que as pessoas avaliem os serviços e participem. É preciso melhorar a saúde, a educação e o transporte público. Defendo uma Prefeitura muito mais transparente. Precisamos expandir muito o conceito de participação na cidade e criar o conceito de colaboração”.

Outra de suas bandeiras é a valorização da cultura, como forma de aproveitar uma vocação da cidade e transformar seu potencial em geração de empregos e renda. “É importante que se invista mais em cultura, mas que também se passe a olhar a cultura menos como um gasto e mais como um vetor de desenvolvimento da cidade. É uma cidade que tem grandes grupos no teatro, na dança, na música, e o setor cultural tem potencial para gerar empregos. Quem produz cultura em Belo Horizonte sabe como é difícil licenciar um evento, a prefeitura precisa ajudar mais a quem quer empreender, com menos burocracia”.

Conceito que também pretende levar para o apoio aos empreendedores e ao esforço para criar postos de trabalho. “Um projeto pelo qual tenho muito carinho é a criação de um centro de recuperação de negócios. O atual prefeito preferiu não olhar para quem quer empreender e gerar empregos, a prefeitura não entendeu que não pode criar empregos, mas pode destruir vários. No mesmo espaço, queremos reunir os empreendedores, a prefeitura, o Sistema S e todos os que querem proporcionar a geração de empregos”.

Na segurança pública, a candidata defende três políticas principais: uma atuação mais firme no enfrentamento à violência contra a mulher - por meio de ações de vigilância da Guarda Municipal e de assistência social; um programa de inclusão profissional de jovens fora da rede escolar em áreas como tecnologia e gastronomia e a aproximação da Guarda da comunidade. Luísa também defende a volta da regionalização da administração. “Numa cidade moderna as pessoas encontram tudo o que precisam, inclusive da prefeitura, perto de casa. Desde que as regionais foram extintas, ficou muito mais difícil obter um alvará, por exemplo”, argumenta.

Interlocução
Com 36 anos, “mãe do Francisco e da Sofia” e servidora de carreira na área de gestão pública – o que a levou ao posto de secretária-adjunta de Estado de Planejamento e Gestão, Luísa se mostra tranquila quanto à presença de um candidato do partido do governador Romeu Zema na disputa (Rodrigo Paiva). E diz acreditar que, numa eventual eleição, teria caminho aberto para uma ótima interlocução com o Estado. “É preciso melhorar muito o relacionamento com os governos estadual e federal, independentemente de quem lá esteja ou venha a estar”.