Recuperar a autoestima da capital, que estaria baixa. Unir esforços com as esferas estadual e federal e atrair a ajuda de organismos internacionais para retomar investimentos em infraestrutura. É o que defende o candidato à Prefeitura de Belo Horizonte Marcelo Souza e Silva (Patriota). Sétimo entrevistado na série de lives do Hoje em Dia com os postulantes à gestão da capital, ele afirmou que a atual administração foi insensível aos pleitos do setor de comércio e serviços na pandemia e tem colaborado para um cenário de estagnação na cidade. 

“Precisamos voltar a ser alegres, receptivos, acolhedores. Belo Horizonte atualmente está expulsando as pessoas, os investimentos. Quem olha para a cidade nota uma aparência suja, descuidada. É preciso movimentar a economia, gerar mais empregos, para cuidar do sustento das pessoas. Condições para isso nós temos, mas falta uma liderança para uma gestão eficiente e articulada na Prefeitura”, afirma.

Segundo o candidato, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) não se empenhou no diálogo com um setor que, sozinho, é responsável por 72% do PIB e 85% dos empregos gerados na capital. Ainda como presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH), ele afirma ter levado sugestões que chegaram a ser consideradas, mas depois acabaram descartadas. 

“Desde o problema das chuvas tentamos uma aproximação mais enfática para discutir várias ações necessárias na cidade e sempre houve um distanciamento por parte do prefeito. Fizemos uma reunião no princípio de maio, mas há uma característica da atual gestão de que, se você tem opinião contrária, vira inimigo. O comércio poderia estar aberto, com todos os protocolos e, se fosse o caso, no momento de maior transmissibilidade do vírus (junho e julho), fechar. Não houve conversa. Logo no início da retomada definitiva, sugerimos abrir aos sábados, porque é o melhor dia de vendas nos shoppings e nos bairros, mas mais uma vez não fomos ouvidos. Regiões como Barro Preto e Savassi estão com muitas lojas fechadas e o comércio não consegue se sustentar”.

Entre as propostas para um esforço de recuperação estão a isenção do IPTU e outros impostos municipais, não apenas para manter os atuais negócios funcionando, mas também atrair a abertura de novos. “A gente fala da isenção do IPTU e de taxas, dentro do princípio da legalidade. A ideia nesse momento é ajudar as empresas, e não se deve esperar janeiro para colocar isso em prática. É possível dar as mãos às empresas ajudando com uma gestão mais eficiente. Precisamos fazer o turismo de negócios voltar a acontecer em Belo Horizonte, é preciso trazer de volta essa movimentação que provoque esse giro econômico”.
Entre suas ideias estão a de transformar BH na “capital do esporte motor”, atraindo uma etapa da Stock Car, a Fórmula E (categoria de monopostos elétricos) e competições e eventos do motociclismo, além de valorizar as vocações já consagradas da cidade. Outra proposta é de uma revisão no Plano Diretor recentemente adotado que, na opinião do candidato, prejudicaria o segmento da construção civil.

Para Marcelo, as obras em infraestrutura pararam nos últimos quatro anos, o que pode provocar uma sobrecarga para o futuro a curto prazo. Ele considera que faltam projetos capazes de atrair investimento público para resolver alguns dos gargalos da cidade, como a questão das chuvas e a mobilidade urbana. 

“Há recursos, mas temos de ter projetos mais inteligentes para eles. O investimento deve ser continuado, não parar como paramos nesses últimos quatro anos. Quando você precisa fazer mais à frente, acaba necessitando de muito mais recurso”.
 

Trajetória
Marcelo Souza e Silva é natural da capital, graduado em Administração e Ciências Contábeis e integra a diretoria do CDL-BH desde 1997 (está licenciado da presidência para concorrer à PBH). 

Na segunda gestão de Márcio Lacerda, ocupou os cargos de secretário de Desenvolvimento e da Regional Centro-Sul. Tanto a atuação pelo CDL quanto a experiência na administração municipal me deram a oportunidade de colocar meu nome à disposição”, destacou.