Portas fechadas, poucos clientes, prateleiras cheias e muitas contas a pagar. Esse é o cenário vivido por boa parte dos donos de bares e restaurantes de Belo Horizonte no começo de mais uma semana de suspensão do funcionamento do comércio e dos serviços não essenciais para tentar conter o aumento da pandemia de Covid-19. Sem poder receber os clientes, a alternativa é o delivery, modalidade que, para muitos, mal cobre os custos mensais. 

Além disso, há outros fatores que preocupam: os estoques cheios e a ina-dimplência, referente a parcelas de financiamentos obtidos em 2020, por causa da pandemia, que já bate à porta de empresários do setor.
No primeiro dia útil após o recuo na flexibilização em BH, proprietários de bares e restaurantes, restritos a delivery e a entregas no local, lamentavam o quadro. Dono de restaurante há 12 anos, José Francisco da Costa Neto viu as vendas caírem nos últimos meses. 

Com o fechamento do comércio, o empresário disse que tem faturado 20% do que registrava antes da flexibilização. “Com as lojas fechadas perdemos 80% do faturamento. A gente tenta o delivery, buscar novos clientes, mas está difícil. Fechar tudo não pode ser a única saída”, destaca ele.

Outra pressão sobre os empresários está relacionada à alta descontrolada nos preços de alimentos, nos últimos meses. Pesquisa feita pelo site Mercado Mineiro na semana passada e divulgada ontem mostra que alguns cortes de carne, como acém e chã de fora, subiram 2% e 2,41% em um mês. Outros itens, como o arroz e o feijão, também tiveram elevação – altas de 4,81% e 4,27% em 6 meses. 

De acordo com o economista Feliciano Abreu, coordenador do Mercado Mineiro, não há previsão para recuo nos preços. “Infelizmente, vão continuar subindo”, salienta. 

Com custos mais altos, donos de bares e restaurantes dizem que repassá-los aos consumidores é a única alternativa. Para Matheus Daniel, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel/MG), não há condições de segurar os valores do cardápio.

“Não temos alternativa e os consumidores entendem que é impossível não fazer os repasses, já que os preços estão mais altos a cada dia”, explica.

 

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