O Carnaval deve criar 19,340 mil vagas temporárias no país este ano, aumento de 8,9% em relação ao evento do ano passado. É o que aponta levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgado ontem, com as projeções das receitas da prestação de serviços turísticos no país durante a Festa de Momo, que deve injetar R$ 6,25 bilhões na economia.

A pesquisa da CNC não aponta números específicos por região, mas coloca Minas Gerais como o terceiro maior Carnaval do Brasil em volume de dinheiro circulando, com R$ 567,6 milhões – à frente de estados com folias tradicionais, como Pernambuco.

Em Belo Horizonte, os setores de hotelaria, bares e eventos são os que mais irão realizar contratações temporárias. Atendentes, garçons, caixas, camareiras e seguranças estão entre as funções mais procuradas. No entanto, em alguns casos, a tendência é a de que os empresários acionem profissionais que já dão suporte em seus estabelecimentos ou eventos em outras épocas ao longo do ano.

É o caso da representantes comercial Heloá Alves de Oliveira, de 28 anos. Ela passou os dois últimos carnavais trabalhando como caixa no Carnaval do Mirante - evento privado com uma série de shows num espaço do bairro Olhos D’Água. Neste ano, mais uma vez, irá trocar confetes e serpentinas por um complemento ao orçamento. “O trabalho exige muito, mas a gente acaba trabalhando com pessoas amigas e ainda escuta os shows”, conta. Segundo ela, o Carnaval acabou se tornando uma data adicional no calendário. “E é ótimo porque remunera melhor”, continua Heloá.

Só no Carnaval do Mirante, que dentre as atrações terá Annita e Wesley Safadão, cerca de 600 temporários devem dar expediente por dia, afirma o organizador do evento, Carlos Marçal.

Nos bares e restaurantes, ainda que a descentralização do desfile dos blocos esteja aumentando, a expectativa do setor é a de que a demanda por trabalhadores temporários seja maior na região Centro-Sul e Leste, que concentram a folia.

“Estabelecimentos que costumavam ficar fechados irão abrir neste Carnaval. Até o ano passado, muita gente dizia ‘será que vai dar certo? Mas 2018 é um divisor de águas”, afirma Ricardo Rodrigues, da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MG). “Não dá para dizer que será uma enxurrada de contratações, mas em algumas regiões a demanda será bem grande”, aponta.


Hotéis e bares lideram contratações em Belo Horizonte

Localizado num dos pontos quentes do Carnaval de BH, o bar do Museu Clube da Esquina deverá contratar pelo menos cinco temporários para o atendimento. “São pessoas com as quais já temos contato e agora pagamos via CLT (contrato intermitente), que protege mais a empresa e o empregado. Já há uma turma de garçons trabalhando dessa forma”, diz Márcio Aquino, gerente do bar.

No restaurante Paraconi, na avenida Brasil, bairro Santa Efigênia, a expectativa é contar com o suporte de três funcionários e quatro seguranças temporários, afirma o sócio-proprietário da casa, Lindoval Conegundes. “Temos um bloco, o Parafolia. Além disso, vários outros blocos vão passar pela avenida onde estamos localizados durante a festa”, diz.

Carnaval Museu Clube da esquina

Márcio Aquino, gerente do bar do Museu Clube da Esquina, vai contratar cinco temporários

 

Outro setor de serviços que tem passado por um movimento reverso no Carnaval – da quase inatividade até três anos atrás à ocupação – é o da hotelaria. O crescimento da festa na capital alterou a dinâmica de alta temporada do setor, que tradicionalmente começava em março, com a intensificação do turismo de negócios e eventos.

“Tem gente que contratou temporário para trabalhar em restaurante e no setor de limpeza. Mas há muitos hotéis com ações específicas por causa do Carnaval. O Othon, por exemplo, gerou demanda de funcionários para trabalhos mais específicos, não tão tradicionais na hotelaria, como maquiadores de foliões”, conta Diogo Alves da Paixão, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-MG).

No hotel InterCity Expo, que fica próximo ao Expominas, e espera bater 80% de ocupação e crescimento de 65% nas receitas em relação a 2017, a projeção é contar com reforço de 20% no quadro de funcionários por meio de temporários.
Já no Ramada Minas Casa, nas proximidades do Minas Shopping, que tinha 40% das reservas preenchidas no início da semana, a gerência antecipou a contratação de três funcionários definitivos, que entrariam em março, para o Carnaval. “Há possibilidade de crescimento real de 60% no faturamento em relação a 2017”, diz o gerente Moisés Correia.