CDL-BH

Marcelo de Souza e Silva cobra previsibilidade do governo municipal, para ajudar lojistas a lidar com o momento

"Muitos negócios mal tiveram tempo de se recuperar e agora enfrentam outra tragédia. Estamos procurando fazer a nossa parte, mas esperávamos mais, especialmente da Prefeitura". A afirmação é do presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, ao avaliar a situação de quem já havia perdido com as enchentes e agora se vê diante de mais um obstáculo sério em relação à sobrevivência.

"Tenho recebido inúmeros relatos de empresas em sérias dificuldades. Considerando que muitas delas são pequenas, a PBH poderia interferir no sentido de oferecer microcrédito; disponibilizar em parceria valores que permitissem encarar um, dois, três meses mais difíceis, de modo a evitar demissões e fechamentos. Mesmo as linhas de crédito com dinheiro do governo federal também não têm acesso fácil; os bancos têm dificultado sua concessão, a burocracia é imensa. Além disso, nos preocupa o fato de que muitas intervenções para sanar os efeitos das chuvas não foram feitas. Daqui a pouco chega dezembro de novo e corremos o risco de emendar uma terceira tragédia".

O presidente do CDL lembra que 72% do PIB de Belo Horizonte é gerado pelos setores de comércio e serviços. E destaca o que a entidade tem procurado fazer para minimizar os efeitos de nova crise. "Lançamos o programa 'É pra Já', numa tentativa de ajudar os negócios. Oferecemos acesso a cursos e consultoria para atuar no universo digital; auxílio jurídico, além de parcerias com empresas de logística. As empresas estão sendo obrigadas a buscar novos instrumentos, reforçar sua presença online. Só vamos conseguir superar esse momento se todos nos unirmos", diz.

Indefinição
Ele lamenta, no entanto, a indefinição envolvendo o relaxamento da quarentena na capital. "Nossa prioridade são as vidas e a questão de saúde, não há dúvida. Mas seria fundamental ter previsibilidade, um cenário que permitisse aos donos de negócios se preparar para a retomada, tomar as decisões necessárias. Não sabemos se a perspectiva é disso acontecer em 15 dias, um mês ou três. Entendemos que a situação tem mudado em questão de dias, que tudo tem de ser pensado com cuidado, mas um direcionamento hoje é importante, e esse diálogo não tem existido, tampouco uma sinalização", cobra. Amanhã, uma audiência pública na Câmara Municipal vai discutir o cenário reunindo representantes das principais entidades do comércio e serviços.

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