Para conseguir comprar itens tradicionais da ceia do Natal, as famílias de BH vão ter que desembolsar mais em 2020 do que no ano passado. Pesquisa do site Mercado Mineiro mostra que alguns produtos tradicionais, como pernil, frutas secas e in natura, chegaram a apresentar alta de mais de 70% nos preços, em comparação com o ano passado. No caso da pêra, o estudo encontrou aumento de até 129%, sendo vendida a R$ 18 o quilo.
De acordo com a pesquisa, o maior aumento foi registrado no preço do quilo do pernil com osso, que é vendido hoje nos supermercados pela média de R$ 26,35 e no ano passado podia ser encontrado a R$ 15,49. A alta é de 66%. Outro produto tradicionalmente consumido nesta época e que teve disparada nos preços é a uva, cujo preço médio em 2019 era de R$ 10,95, chega agora a R$ 18,45 – aumento de 68%. 

Câmbio é o vilão
Para o pesquisador e economista Feliciano Abreu, diretor do site Mercado Mineiro, a alta nos preços foi puxada pela subida no câmbio, que deixou os produtos importados ainda mais caros e a exportação de alimentos brasileiros para o exterior mais atrativa do que a venda no mercado interno. “Este é um ano atípico, em que, infelizmente, o consumidor vai ter que ter consciência e agir mais pensando no bolso do que com a emoção que o Natal nos traz”, pondera Abreu.
E quem quiser gastar menos para garantir a ceia vai precisar de muita paciência e disposição para pesquisar preços. O mesmo levantamento do Mercado Mineiro mostra que a variação de valor em alguns produtos pode chegar a até 114%, como é o caso do bacalhau do Porto, que pode ser encontrado com variações de R$ 69,90 a R$ 149,80 o quilo. 

Substituir produtos
Para a coordenadora do Movimento das Donas de Casa e Consumidoras de Minas Gerais (MDC/MG), Solange Medeiros, a hora não é só de pesquisar, mas também de ter criatividade ao escolher o cardápio natalino. “Não tem alternativa para este Natal. O mais indicado é substituir alguns itens por outros mais baratos, que vão dar o mesmo gosto na hora da confraternização”, ensina ela.

Sem castanhas

Esta será a saída adotada pela dona de casa Caroline Cássia Ferreira. Com a alta dos preços, já avisou à família que o tradicional pernil vai dar lugar a um rocambole feito de carne bovina e suína e que as nozes e castanhas serão trocadas por amendoim. Tudo, pensando na economia e em manter a tradição de passar o Natal com a família à mesa. “O que não pode é ficar sem a ceia. O que vamos comer, a gente adapta ao que o bolso pode pagar”, diz a dona de casa.