A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) vai investir R$ 12 milhões na atualização de 1,1 mil religadores de energia espalhados pela Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O objetivo é implantar uma rede própria de comunicação para os equipamentos, responsáveis por reativar a eletricidade automaticamente em caso de falha. Dessa forma, a operadora conseguirá monitorar a rede elétrica por mais tempo e com mais eficácia e, consequentemente, melhorar a prestação do serviço. 

Em uma primeira etapa, 630 equipamentos terão a tecnologia alterada. Hoje, eles são operados por meio de celulares, que têm um tempo de resposta superior à tecnologia que será implantada. “Se uma árvore cair sobre os fios, a energia será cortada automaticamente. Pouco depois, o religador tentará retomar a eletricidade. Se o galho ainda estiver sobre os fios, ele não terá sucesso, mas tentará novamente em breve. Porém, se o galho já tiver caído no chão, a eletricidade poderá ser retomada”, explica Sergio Sevileanu, especialista em redes da Siemens, empresa contratada para implantar o novo sistema.

Ele afirma que os religadores eram operados por celular e a resposta aos chamados não era tão eficaz. O motivo é que eles funcionavam por meio de redes que comumente ficam instáveis ou congestionadas. “É como se o centro de controle da Cemig parasse de enxergar os equipamentos durante um tempo”, exemplifica. Agora, com uma rede de rádio exclusiva, os aparelhos serão mais eficientes. 

Eficácia

Na ponta do lápis, haverá um ganho de resposta de 57,6 horas por mês no tempo em que a rede será monitorada pela companhia. Isso acontece porque com os equipamentos sendo alimentados por meio de celulares, a Cemig conseguia “enxergar” a rede 90% das 720 horas do mês, o equivalente a 648 horas mensais.

Quando a rede própria for implantada, a expectativa é a de que a malha fique visível para a concessionária 98% do tempo, ou seja, 705,6 horas por mês. “Se o galho cair sobre a rede, a companhia saberá que houve o problema com mais rapidez e as tentativas de restabelecer a energia serão mais ágeis”, pondera o representante da Siemens.

Como reflexo, a Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC), que mede o tempo em que a empresa deixa de fornecer energia aos clientes, deve cair. 

Em 2018, os consumidores da Cemig ficaram, em média, 9,52 horas no escuro. Apesar de aparentemente alto, o intervalo é inferior ao limite imposto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de 10,38 horas. Se o período limite fosse superado, a companhia teria que pagar multas à Aneel e, ainda, reembolsar o consumidor. Em 2016 e 2017, por exemplo, a agência reguladora multou a energética em R$ 27,5 milhões alegando que a concessionária não havia informado corretamente as medidas ao governo.