A política de distribuição de dividendos e os investimentos agressivos realizados pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) em gestões passadas, até 2014, foram responsáveis pela perda de quatro usinas da companhia em certame realizado em setembro do ano passado pela União. A afirmação foi feita pelo presidente da empresa, Luiz Humberto Fernandes, durante apresentação de balanço da companhia, realizado ontem.

De acordo com o executivo, os gastos fizeram com que a energética não tivesse dinheiro suficiente em caixa para brigar pelas hidrelétricas de Jaguara, Miranda e São Simão. Juntas, as usinas eram responsáveis por 40% da geração de caixa da Cemig.

Dividendos

Entre 2011 2014, a estatal pagou R$ 12,297 bilhões em dividendos aos acionistas. O montante representa cerca de 100% do lucro da empresa. Em 2013, por exemplo, os proventos chegaram a R$ 4,6 bilhões. 

Em 2015, o conselho administrativo da Cemig decidiu pagar o mínimo previsto em estatuto, de 50% do lucro. Naquele ano, foram repassados aos detentores de ações preferenciais R$ 796 milhões. No ano seguinte, R$ 674 milhões e em 2017, R$ 560 milhões.

Ao repassar o lucro aos acionistas, a empresa precisou recorrer ao mercado financeiro para fazer empréstimos e honrar os compromissos com credores, segundo Fernandes. Foi necessário, portanto, elevar a dívida. “Quando assumimos a companhia, grande parte da dívida vencia no curto prazo. Fizemos um esforço enorme para rolar os débitos”, afirma o executivo.

Em 2014, a Cemig possuía R$ 11,6 bilhões em dívidas. Quase metade desse valor, R$ 5,2 bilhões, venceria no ano seguinte. O custo era de 7,05% ao ano. Ao final de 2017, a dívida passou para R$ 12,3 bilhões. No entanto, R$ 2.371 eram previstos para vencer em 2018, com custo de 6,01% ao ano.

O outro lado

Antonio Anastasia governou Minas de 2011 a 2014, período cuja gestão da Cemig foi criticada pelo atual presidente. Por nota, a assessoria do ex-governador e hoje senador afirmou que “os leilões não existiriam se não houvesse a MP 579, já que a renovação seria automática. Por isso, é importante que a atual gestão do PT reconheça que a MP 579, editada pelo governo do próprio PT, quase quebrou o setor elétrico no país”. 

O texto ressalta, ainda, que na época Anastasia alertou ao governo federal sobre o risco de insegurança jurídica que a MP 579, convertida na lei 12.783, poderia provocar.

“Ao invés de a conta de energia elétrica diminuir, o que se viu em médio prazo foi justamente o contrário: o aumento do valor das contas para pessoas físicas e jurídicas e a diminuição do valor de mercado de todas as empresas do setor no Brasil”.