A Caoa, quando assumiu o controle da chinesa Chery, sabia que para ganhar mercado não bastava oferecer um carro barato. Era preciso equalizar preço e demanda. Ela fez isso em meados dos anos 2000, quando passou a importar o então pouco conhecido Hyundai Tucson com valores impossíveis de competir, aliados ao desejo do consumidor em levar para casa um garboso SUV.

No comando da Chery, a primeira coisa que fez foi dar um upgrade no hatch Celer, que se transformou em Tiggo 2, em 2018. Há três anos, ela sacou que vender um aventureiro era mais negócio que arriscar a sorte no segmento de entrada. Movimento que a Fiat busca com o “363” e a VW antecipou com o Nivus. 

Agora, a Chery acaba de lançar o Tiggo 3X, que chega partindo de R$ 95 mil (na versão Turbo Plus) para se posicionar entre os irmãos Tiggo 2 e Tiggo 5X. O modelo amplia a gama de utilitários e aventureiros da marca sino-brasileira, que vem ganhando mercado com uma estratégia de oferecer SUVs com preços menos proibitivos que seus concorrentes.

Na verdade, o Tiggo 3X nada mais é que uma evolução do Tiggo 2. Sim, eles utilizam a mesma carroceria. A diferença visual mais marcante está na parte frontal, que recebeu estilo mais moderno, com conjunto óptico em dois níveis, como no C4 Cactus e a picape Toro. 

Visto de lateral não há como questionar, da mesma forma quando se observa o veículo pela traseira. Mas há uma razão para isso. A Caoa Chery recebe os kits importados da China e faz a montagem em suas plantas em Jacareí (SP) ou Anápolis (GO). 

Assim, quando a matriz, lá na China, modifica o carro, logo ela precisa atualizá-lo por aqui. Já aconteceu isso com o 5X (montado em Anápolis) e agora com o Tiggo 3X, que é produzido na unidade paulista. No entanto, 2 e 3X conviveram juntos enquanto ainda existiam kits para montagem.</CW>

Motor

Atrás da grade bonita também reside o novo motor turbo 1.0 de 102 cv e 17 kgfm de torque. Ele é combinado com transmissão automática do tipo CVT, com relações infinitas, mas com nove velocidades emuladas. Ou seja, o novo motor tem menos potência que o 1.5 aspirado do irmão menos qualificado.

São 115 cv e 14,9 kgfm de torque no Tiggo 2. Por outro lado, a oferta de torque do novo motor turbo é o que promete fazer dele mais eficiente e muito mais esperto nas arrancadas e subidas de ladeira.

Por dentro

O interior tem a mesma arquitetura do Tiggo 2. A diferença principal está no quadro de instrumentos digital, que deixa o aventureiro mais moderno. Ele ainda conta com multimídia (com Apple CarPlay, Android Auto e câmera de ré), partida sem chave, ar-condicionado digital, bancos revestidos em couro sintético, controles de estabilidade e tração, mas peca por ter só air-bags frontais. Pacote de conteúdos que fazem parte da versão topo de linha Turbo Pro, que é oferecida por R$ 100 mil. 

Assim, no chinesinho surge de cara nova e com preço convidativo para o consumidor que estava de olho no Tiggo 2, que orbita entre R$ 77 mil e R$ 91 mil. Afinal, ele conta com mais conteúdos, motor mais sofisticado e não custa tanto mais, como os R$ 122 mil pedidos pelo 5X.