A indústria do automóvel funciona como qualquer outra. Seja fabricante de canetas, fósforos, estetoscópios, cerveja, celulares ou carro, a lógica é ter o máximo de volume para obter rentabilidade. Mas em alguns segmentos, em que o valor agregado, a complexidade de produção e o volume de oferta são baixos. A lógica se inverte. É o caso da Bugatti, que fabrica por ano o que uma fábrica convencional produz em uma hora ou menos. 

No entanto, seus carros são um pouco diferentes da grande maioria que é produzida no planeta. São verdadeiras peças de joalheria, montadas manualmente e com um rigor de qualidade quase doentio. Lembro da única vez que estive ao lado de Veyron e fui impedido de sentar ao volante devido aos pinos da minha calça jeans. Eles poderiam riscar o exclusivíssimo couro caramelo daquele bólido, que em 2010 custava R$ 8 milhões. 

Mas o que tudo isso quer dizer? Quer dizer que a Bugatti revelou o Chiron Sport Les Legendes du Ciel, nova série limitada de seu supercarro de mais de 1.500 cv e que passeia acima dos 400 km/h. Com tiragem de 20 exemplares, esse carro presta homenagem aos aviadores que, nos primórdios da fábrica de Ettore, foram pilotos da marca.

“A Bugatti tem relações estreitas com a aviação desde que a empresa foi criada, há mais de 110 anos. Muitos pilotos de corrida da Bugatti de sucesso, como Albert Divo, Robert Benoist e Bartolomeo ‘Meo’ Costantini, voaram para a Força Aérea Francesa, a lenda do aviador francês Roland Garros dirigiu privadamente um Bugatti Type 18 para ser tão rápido na estrada quanto no ar. É, portanto, quase uma obrigação homenagear as lendas da época e dedicar-lhes uma edição especial”, explica o presidente da Bugatti, Stephan Winkelmann.

Para poucos

Assim como ocorreu com o Veyron, a trajetória do Chiron será marcada por edições especiais. E olha que a programação de produção desse carro é de apenas 500 unidades. De 2017 até agora, pouco mais de 250 unidades foram construídas. 

E como se trata de um carro que parte de 2,4 milhões de euros (R$ 15,5 milhões), é um carro para poucos consumidores. Como já disse antes: um Bugatti é uma sofisticada peça de joalheria. São carros vendidos para clientes exigentes, extravagantes e excêntricos. Ou seja, não gosta de ver outro carro igual ao seu.

Por isso, são elaboradas edições especiais, que tecnicamente são o mesmo carro, mas que diferem em detalhes exclusivos e pelo motivo de terem sido projetados. Antes da Les Legendes du Ciel, a marcha já tinha lançado a 110 Ans (20 unidades), Super Sport 300+ (30 unidades), Pur Sport (60 unidades) e Noire (20 unidades). 

Uma estratégia de marketing que faz de cada série mais especial que a outra. Assim, aquele xeque, atleta, artista ou empresário cheio da nota, não se importa de pagar uma pequena fortuna por outro Chiron na garagem. 

O carro

Visualmente é difícil identificar o que mudou nesse carro. Ele é montado a partir da versão Sport, do Chiron. Mas o Les Legendes du Ciel tem detalhes exclusivos, como a pintura fosca “Gris Serpent” e duas elegantes janelinhas no teto “sky view”, sobre os acentos. 

Esse teto solar em duas partes, segundo a marca, busca reproduzir a sensação de um cockpit dos primeiros aviões que não tinham cobertura. A edição também será numerada e cada unidade pode ser adquirida (na Europa) por 2,88 milhões de euros (R$ 18 milhões). 

O supercarro mantém seu incrível motor W16 8.0 com quatro turbos que despejam 1.600 cv e 160 mkgf de torque para as quatro rodas, gerenciado por uma transmissão de oito marchas. 

São números que se traduzem em uma aceleração de 0 a 100 km/h em 2,4 segundos e velocidade máxima de 415 km/h. Isso mesmo, quatrocentos e quinze quilômetros por hora!

Se colocassem asas, ele decolaria sem o menor esforço.