O atentado ao presidenciável Jair Messias Bolsonaro (PSL), na tarde desta quinta-feira (06), em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, teve repercussão imediata entre os estudiosos da política. Com 22% das intenções de voto, o candidato está na liderança pela corrida ao Palácio do Planalto nas eleições de outubro.

O cientista político, sociólogo e professor universitário Moisés Augusto Gonçalves lamentou o ocorrido e ressaltou que o caso deve ser investigado e o culpado punido. “Certamente, o fato será usado como arma política no jogo eleitoral. Mas isso não é aceitável porque Bolsonaro não foi o único político vítima de violência neste ano", disse, referindo-se ao assassinato da vereadora carioca Marielle Franco.  Para ele, esse tipo de uso foge de uma disputa pautada pela ética, respeito, valores e dignidade humana.

Em contrapartida, o professor lembrou que as pessoas que estimulam a violência e incitam o ódio também podem ser vítimas, o que é ruim para o processo democrático e para a sociedade.

Segundo o professor e cientista político da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Paulo Roberto Figueira Leal, todo ato de violência deve ser prontamente investigado e punido. No entanto, cabe também à sociedade analisar que uma ocorrência do gênero representa uma resposta prática ao clima de polarização política e incitação do ódio que tem ganhado espaço no Brasil, nos últimos anos. “É preciso compreender que diversas lideranças, entre as quais o próprio Bolsonaro, têm contribuído para o clima de ódio que permeia as discussões políticas. De alguma forma, hoje as coisas saíram do controle”, enfatizou.

O professor lembrou que o dia do candidato, em Juiz de Fora, não começou bem. “O clima de agressividade também é parte da campanha dele. Durante a visita ao Hospital do Câncer de Juiz de Fora (Asconcer), militantes vestidos de preto causaram tumulto com pacientes”, relatou.