Cinco anos após o Ministério Público entrar com ação por improbidade administrativa, o ex-senador Zezé Perrella (MDB) foi notificado pelo Tribunal de Justiça e se tornou réu por supostamente ter recebido R$ 1,2 milhão em reembolsos por serviços não comprovados quando ainda era deputado estadual em Minas Gerais, entre 2007 e 2010. 

O ex-dirigente do Cruzeiro não havia sido localizado pelos oficiais de Justiça nos endereços indicados e só se manifestou nos autos após ter os bens bloqueados em março deste ano.

A promotoria acusa Perrella de ter entregue diversas notas fiscais fraudulentas, com indicativos de serviços que não foram prestados, com o objetivo de ser ressarcido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Como deputado estadual, ele tinha direito a verba indenizatória, destinada ao custeio de despesas como aluguel de imóvel ou veículos para a atividade parlamentar de, no máximo, R$ 20 mil por mês.

Somente com gastos de "assessoria contábil e tributária", Perrella teria gasto R$ 198,3 mil . Conforme o MPMG, os serviços não tinham ‘qualquer caráter público’.

"Após examinar as provas colhidas até então, verifica-se a existência de elementos que demonstram a possibilidade de ocorrência de improbidade administrativa praticada pelo requerido. A fundamentação acerca das irregularidades apuradas no inquérito instaurado, causando, em tese, o enriquecimento ilícito do requerido e ainda danos ao erário, leva a crer sobre a adequação dessa discussão em juízo", diz o relatório da 3ª Vara da Fazenda Pública e de Autarquias, assinado pelo juiz Elton Pupo Nogueira.

A reportagem conversou com o assessor de Zezé Perrella, que informou que o ex-senador está viajando e que não iria falar sobre o assunto.