Antigos motéis da BR-040, na saída de Belo Horizonte para Nova Lima e Rio de Janeiro, vão dar lugar a um mercadão de produtos do agronegócio familiar e a outro grande estabelecimento comercial, fortalecendo a região como nova fronteira gastronômica e econômica. 

Recém-descoberta como polo comercial, a área, que fica às margens da rodovia e tem ligação direta com o Anel Rodoviário, entrou no radar de investidores como o presidente do Uai Shopping/Fundação Doimo, Elias Tergilene, que adquiriu o extinto motel Master e um lote anexo por R$ 30 milhões.

No local, será construído o Mercado de Origem, central de abastecimento com foco na venda de produtos da agricultura familiar que já estão certificados e aprovados na inspeção sanitária para o consumo. Na lista estão verduras, horti-frúti, queijos e cafés especiais, cachaças, carnes e mel. Será uma espécie de ‘Mercado Gourmet’. 

Para adaptar o prédio que abrigava suítes e vagas de estacionamento e ampliar o espaço para receber lojas de 150 propriedades rurais, associações e cooperativas de produtores, serão investidos mais R$ 20 milhões. 

“A localização é excelente e a venda dos produtos será direta para o consumidor final, sem o atravessador. Com isso, os preços ficarão mais vantajosos para os clientes e, na outra ponta, o ganho do produtor também aumenta”, adianta. 

A primeira etapa do projeto já está em execução e, segundo Tergilene, vai ocupar uma área de 14 mil metros quadrados. A inauguração está prevista para o segundo semestre de 2019. 

A segunda fase, que poderá incluir o motel Sunny Day (em fase de negociação), deve aumentar em 17 mil metros quadrados o tamanho do empreendimento.

Além da infraestrutura física, o Mercado de Origem também terá equipamentos como frigoríficos e espaços para armazenamento dos itens secos.

Capri

Outro motel da região que também foi vendido recentemente é o Capri. Em via[/TEXTO]s de encerrar as atividades, o empreendimento, que ocupa área de 21 mil metros quadrados, chamou a atenção do Grupo EPO que, juntamente com um grupo de investidores, adquiriu o prédio. 

O diretor de Novos Produtos da construtora, Guilherme Santos, não divulga o valor da transação, mas adianta que será construído um empreendimento comercial no local. 

“A EPO acompanha o desenvolvimento imobiliário da região há 10 anos e temos observado a migração e a abertura de empreendimentos. Fomos os responsáveis pela construção do Leroy Merlin e do outlet, na pista oposta, e acreditamos que trata-se da nova fronteira comercial da cidade”, adiantou. 

A empresa aguarda a aprovação do projeto junto à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para dar início às obras. Até lá, o imóvel, que provavelmente será demolido, permanecerá fechado.

 

MOTEL MASTER – Prédio já começa a passar por obras para abrigar o Mercado de Origem


Estabelecimento terá como foco produtos da roça

A viabilização do projeto do Mercado de Origem inclui um acordo de cooperação técnica com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) para a indicação das propriedades, cooperativas e associações de produtores que já estão de acordo com as normas sanitárias e de qualidade para atender ao mercado. 

O presidente da estatal, Glênio Martins, ressalta que essa parceria dá continuidade ao trabalho de divulgação da agricultura familiar que é feito há 70 anos pela empresa.

“O setor enfrenta dois desafios. O primeiro é a produção em si. O segundo inclui beneficiamento e processamento dos alimentos para a comercialização. O Mercado de Origem vai abrir um novo polo para a venda da produção”, destaca.

A Cooperativa de Empresários Rurais do Triângulo Mineiro (Certrim), que trabalha com grãos como soja e milho e também pecuária, já está no grupo de instituições que aderiram à iniciativa. 

O presidente da Certrim, Luiz Henrique Borges Fernandes, acredita que o Mercado de Origem vai ampliar o mercado interno e externo dos grãos, com preços justos. Atualmente, são 5 mil cooperados em sete municípios da região.

A Associação dos Apicultores de Bocaiuva (Apiboc) também está na lista de instituições que vão abrir um espaço no empreendimento. O carro-chefe é o mel de aroeira, um produto típico da região que está em fase de certificação de origem, segundo o presidente da associação, Luciano Fernandes de Souza. 

“Este será mais um local para divulgar e vender nossos produtos”, comemora. A entidade congrega 300 produtores de 25 municípios de diversas regiões do Estado.