Hoje, o mercado de automóveis se ramificou em incontáveis segmentos e subnichos muito específicos. Há sedãs, SUVs, cupês, peruas, SUVs cupês, roadster, conversíveis, picapes, monovolumes e hatches de diferentes tamanhos. Mas há 40 anos a indústria não era tão pulverizada. 

Para se ter uma ideia, nos anos 1980, Mercedes-Benz e BMW disputavam a hegemonia do segmento premium alemão, com Audi correndo por fora, VW num degrau inferior e a Porsche dedicada ao seu universo particular. Cada uma tinha no portfólio dois ou três sedãs de diferentes dimensões, um cupê, um conversível e a vida seguia numa boa.

Em 1982, a Mercedes lançou a linha W201, que nada mais era que um sedã compacto, mas que carregava todo o brio da Estrela de Três Pontas. Ele chegou junto com a geração E30 do BMW Série 3. Visualmente, o modelo de Stuttgart era bem mais classudo que o rival de Munique, que tinha visual agressivo.

Acontece que a BMW fez do limão uma limonada e apresentou derivações cupê, conversível e perua do compacto. Já a Mercedes não foi além da perua. Afinal, ela não via razão num cupê ou opção aberta, já que contava com o desejado roadster SL em sua gama.

Mas em 1986 a rival apresentou o icônico M3 (E30) que se tornou o esportivo alemão mais legal do planeta, ao lado dos Porsches 911 (964), 944 e 928. E mais, a BMW passou a correr com o M3 em provas de turismo. E não é surpresa para ninguém que a pista é a melhor publicidade para um fabricante de automóveis, seja na Europa, Estados Unidos ou Japão.

Sem carroceria esportiva, o jeito foi adaptar o W201 para poder representar a Mercedes nas pistas. O BMW tinha um motor 2.3 aspirado com mais de 190 cv. A Mercedes não tinha nada tão compacto e potente na prateleira. Então ela convocou a inglesa Cosworth para desenvolver um motor para o carro. As duas já tinham trabalhado juntas numa versão de rali com motor V8.

A solução veio no ajuste do motor 2.3 quatro cilindros Mercedes, que foi totalmente lapidado pela parceira britânica, com novos pistões, comando de válvulas, assim como aumento da capacidade volumétrica. 

Foi assim que surgiu o Mercedes-Benz 190 E 2.5-16 Cosworth com 204 cv. A BMW deu o troco em 1989 com o M3 Evolution, que ampliava o motor para 2.5 litros 235 cv, além de ajustes no kit aerodinâmico, que deixavam o BMW ainda mais mafioso.

A Mercedes então resolveu contra-atacar com 190 E Evo. O carro teve tiragem de 500 unidades para atender o registro de homologação para disputar o Deutsche Tourenwagen Master (DTM), que era o campeonato alemão de turismo. A versão foi equipada com motor 2.5 de 235 cv e 25 mkgf de torque e kit aerodinâmico, que fazia dele o grande rival do BMW M3 E30 Evo.

Mas ainda sim, a Mercedes viu a BMW levantar o caneco de construtores na DTM em 1989 e 1990. Foi só em 1991 que ela conquistou o título por marcas com o 190 E Evo. Em 1992 ela levou os dois títulos, como fabricante e piloto, com Klaus Ludwig. A Mercedes ainda conquistaria os títulos de 1994 e 1995, o único fator que quebrou sua dinastia foi o furacão italiano de 1993, a Alfa Romeo 155 DTM, que o amigo encontra aqui no HD Auto.