Na medida em que as relações entre Kalil e parte dos vereadores da Câmara Municipal parecem ficar mais tensas, projetos importantes que devem ser enviados pelo Executivo municipal ao Legislativo, nos próximos dias, poderão exigir esforços redobrados da PBH para obter aprovação.

Tudo isso porque, atualmente, a base de Kalil na Câmara conta com 27 parlamentares. E alguns dos projetos de Lei exigem que dois terços dos vereadores (28 de 41) sejam favoráveis. 

Pelo menos dois textos importantes devem chegar ao Legislativo nos próximos dias. O primeiro se refere à autorização para que a PBH integrar o Consórcio Intermunicipal para a compra de vacinas contra a Covid-19. Kalil disse que pretende adquirir 4 milhões de doses da russa Sputink V. 

Outro projeto tido como fundamental pela PBH é o do pacote de medidas que reveem o Código de Posturas do município. A ideia é reduzir de 27 para três o número de tributos e taxas municipais cobrados de comerciantes e outros empresários da cidade. 

adalclever lopesAdalcleves Lopes: "Não há motivo para que esses textos não sejam aprovados"

De acordo com o secretário de governo da PBH, Adalclever Lopes, os dois projetos são cruciais para a retomada econômica da capital. “Não há motivo para que esses textos não sejam aprovados. A vacina é um anseio de todos e a reformulação do Código de Posturas é uma demanda antiga”, explica.

Já para os vereadores de oposição, até agora, pelo menos, medidas da PBH referentes à recuperação econômica da cidade na pandemia seriam, no mínimo, insuficientes. Juliano Lopes (PTC), por exemplo, diz que Kalil deveria estar preocupado em tomar atitudes que de fato beneficiassem o comércio da capital – que representa 72% do PIB da cidade -, em momento tão delicado. 

“Você pode ter certeza de que, se o prefeito tivesse enviado um projeto que garantisse uma linha de crédito para os comerciantes, para salvar os 100 mil empregos perdidos na pandemia, todos os vereadores aprovariam. Mas, o que ele fez? Prorrogou o pagamento de impostos que nem deveriam ser cobrados”, alfinetou o parlamentar.

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