Com a inflação batendo em 9,32% em 12 meses, bem acima do teto da meta (6,5%), os comerciantes esperam um Dia dos Namorados modesto. Segundo projeção da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), embora a data injete entre R$ 2,01 bilhões a R$ 2,06 bilhões no varejo em junho, o mês deve fechar entre queda de 1,88% e leve alta de 0,63% na comparação com junho de 2015. Até os 45 minutos do segundo tempo, os empresários tentam reverter a situação e apostam em promoções para atrair o cliente que, segundo a CDL-BH, deve gastar menos do que no ano passado.

Além de reduzir o preço de diversas peças, a Fab Store investiu nas redes sociais para atrair o consumidor. Quem marca o parceiro no Instagram da loja e “printa” a página ganha 10% de desconto na compra, conforme afirma a subgerente da loja, Rebeca Rebuitti. Ela afirma que a ação tem dado certo.

“As pessoas gostam de promoção e marcam os amigos aqui mesmo. Até quem não tem namorado aproveita a oportunidade para se presentear”, diz. Rebeca garante que a unidade vai fechar o mês no azul, no confronto com junho de 2015. “A vitrine está muito chamativa, com muitas peças em promoção. O cliente gosta desse movimento”, afirma.

A rede de loja Tempus aproveitou a proximidade do Dia dos Namorados para inaugurar a 16ª unidade, localizada na Contorno, no bairro Santo Agostinho. O gerente da loja, Luiz Augusto Silva, está entre os 15,5% dos empresários que esperam um desempenho positivo para o Dia dos Namorados, segundo pesquisa da CDL-BH. De acordo com ele, embora o período econômico seja desfavorável, as previsões são otimistas. “No sábado ficaremos abertos até mais tarde. A previsão é vender mais do dobro de um dia normal”, afirma.

O consultor Matheus Baroni, de 23 anos, já havia comprado o presente para a namorada, mas decidiu dar uma volta na Savassi para procurar um complemento. Ele afirma que ficou assustado com os preços, mesmo os anunciados como promoção. “Se juntar o presente com o programa da noite, vamos gastar mais de R$ 300. É muita coisa”, critica.

Trezentos e trinta reais foi o que o coordenador de logística, Emerson Viana, gastou com o presente da namorada, uma joia. Ele também criticou a escalada dos preços. “Ano passado dei algo muito parecido, da mesma marca, e custou R$ 250. É um aumento muito grande”, diz.

Os dois vão gastar mais do que estima pesquisa realizada pela CDL-BH: uma média de R$ 88,50. A comerciante Ana Paula Nunes, que ainda não havia comprado o presente, afirma que se encaixa na turma dos que vão investir menos. “Estou pensando em um sapato. Mas ainda não sei se o dinheiro está valendo menos ou se as coisas estão mais caras”, lamenta.

O estudante Fábio Baroni, de 23 anos, também pretende gastar menos. “Nós combinamos que não íamos comprar nada, mas vou comprar uma lembrancinha para não passar em branco”, revela.

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