As vendas no varejo em Minas apresentaram a maior queda do Brasil em maio, com relação a abril. Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, divulgada ontem, mostra que o setor encolheu 1,5% no Estado. Com relação a maio de 2018, o recuo chegou a 3,2%. Já no acumulado do ano, a retração foi de 2,5%. 

Desemprego, desconfiança e inadimplência são razões apontadas para o fraco desempenho. “Vemos a expansão da informalidade, onde há menos direitos e salários menores. Isso afeta a confiança e a disposição do trabalhador para consumir. Além disso, temos o agravante da indústria extrativa mineral, com a paralisação de minas, e a grave situação fiscal do Estado, cujos servidores estão com os salários parcelados”, diz o economista-chefe da Fecomércio-MG, Guilherme Almeida. 

Para o economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Gilson Machado, a falta de capacidade para honrar compromissos financeiros ajuda a esvaziar o comércio. Segundo o SPC Brasil, em Minas, a taxa de inadimplência em maio subiu 2,44%, ante igual mês de 2018. “O consumidor está sem dinheiro para pagar dívidas. Então não vai ao mercado comprar”, diz. 

Básico
Com queda de 27,5%, o grupo “outros artigos de uso pessoal e doméstico” foi o que registrou o pior resultado. “Isso quer dizer que as famílias priorizaram o consumo básico, enquanto roupas, joias e óticas, por exemplo, são considerados itens mais supérfluos e podem esperar”, explica a coordenadora de Pesquisas Econômicas do IBGE em Minas, Cláudia Pinelli.