O otimismo dos comerciantes da capital durou pouco. A reabertura das lojas, fechadas desde o último dia 11, está condicionada à queda dos casos de Covid-19, sobretudo dos registros de internação que sobrecarregam atualmente os sistemas de saúde público e privado. Segundo divulgou a PBH ontem à noite, em nota, a cidade bateu o próprio recorde nas últimas semanas e há tendência de piora do cenário, o que ainda requer medidas para manter o maior número de pessoas fora de circulação. Horas antes, representantes de três entidades do comércio e dos serviços não essenciais estiveram reunidos com o prefeito Alexandre Kalil e secretários municipais. Na saída, esboçaram otimismo quanto a possível flexibilização da quarentena até o fim do mês.

De acordo com o secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, André Reis, a PBH vai continuar monitorando os números da Covid-19 para poder avaliar futuras movimentações no processo de reabertura do comércio.

“Tão logo os indicadores permitam, retomaremos a flexibilização. A prioridade continua sendo a vida. A prefeitura quer a retomada do comércio, mas quer fazê-la de forma segura. É muito importante registrar que a medida não trata de culpar o comércio ou qualquer setor econômico pela explosão de casos”, disse o secretário. “O que fazemos, neste momento, é retirar o máximo de pessoas de circulação tendo em vista que nunca tivemos um contingente tão grande de pessoas contaminadas na cidade”, afirmou Reis.

“Acreditamos que na semana que vem existe a possibilidade de abrirmos quinta, sexta e sábado. Caso contrário, abriremos no dia 1º de fevereiro. Não existe promessa, mas acreditamos nessa abertura”, disse o presidente do Sindilojas-BH, Nadim Donato, logo após sair do encontro.

A PBH rejeitou pedido de anistia total do IPTU atrasado em 2020, que teria impacto de R$ 150 milhões para o município. Executivo anunciou que vai revisar taxas e preços públicos. Lojistas pleitearam redução das atuais 27 taxas para 4. “Se tivermos menos impostos poderemos investir mais. É um movimento natural e urgente”, afirmou José Anchieta, da ACMinas. 
O adiamento do IPTU foi anunciado semana passada e oficializado em decreto ontem.

PBH informa que pandemia segue crítica e que números continuam sendo monitorados para que possa haver novas flexibilizações

 

Entidades alijadas de encontro mantêm críticas à condução da crise pelo Executivo municipal

Enquanto parte das entidades de comércio e serviços acata bem decretos municipais e mantêm aberto o diálogo com a PBH, outras, igualmente relevantes, como a CDL-BH e a Abrasel, seguem com duras críticas ao Executivo na condução do combate à pandemia.

O presidente da Abrasel-MG, Matheus Daniel, divulgou, ontem, números da própria PBH com a evolução de indicadores da Covid na cidade, desde o ano passado, e a situação dos bares e restaurantes (abertos ou não) em diferentes momentos. 
“Os dados provam que essas ações da prefeitura têm sido inócuas. A PBH tem penalizado um setor que adota protocolos de segurança desde o início da pandemia e que não tem qualquer relação com o aumento de casos”, afirma.

O presidente da CDL-BH, Marcelo Souza e Silva, concorda: “Há uma conjuntura de fatores que direciona à elevação do número de casos, graves ou não, mas que não apresenta conexão direta com o funcionamento do comércio”.

O empresário Marcos Lucchese, dono do bar e restaurante Mercearia 130, também questiona os seguidos fechamentos do setor e clama pela reabertura total, desde que com respeito aos protocolos de segurança. Para ele, a ideia de funcionamento intermitente, aventada ontem na PBH, não faz sentido. 

“É algo incoerente. Acaba aglomerando mais as pessoas nos dias possíveis de saída. Se ficássemos abertos todos os dias, haveria menos gente. A gestão de crise da PBH está sendo feita por quem não segue qualquer parâmetro técnico”, disse.