Com avanço da ômicron, lojistas de BH apontam mês ruim, com funcionários doentes e movimento fraco

Leíse Costa
leise.costa@hojeemdia.com.br
19/01/2022 às 08:05.
Atualizado em 21/01/2022 às 12:16
 (Maurício Vieira/Hoje em Dia)

(Maurício Vieira/Hoje em Dia)

O avanço da variante ômicron do novo coronavírus e da influenza em Belo Horizonte já foi sentido na operação e no desempenho das vendas de shoppings da capital. Na estimativa da AloShopping (Associação dos Lojistas de Shoppings Centers de Minas Gerais), 100% dos 1.200 associados, incluindo lojistas das principais redes de shoppings do país, têm pelo menos um funcionário afastado do trabalho por atestado de Covid-19 ou influenza.

Assim como em outras capitais, os quadros gripais dispararam em BH desde o fim do ano passado. De acordo com o Boletim Epidemiológico e Assistencial Covid-19, alimentado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a incidência de novos casos por 100 mil habitantes saltou 1.069% nos últimos 21 dias. Caracterizada pela alta transmissibilidade, ela afastou centenas de funcionários dos seus postos de trabalhos. “A situação é grave, há lojistas que não conseguem abrir por um período por falta de equipe suficiente para manter a jornada de funcionamento de 10h às 22h, que é o horário dos shoppings”, relata Alexandre Dolabella França, superintendente da AloShopping.

O temor pela nova variante também reflete na circulação de clientes, o que impacta no desempenho das vendas. A estimativa da associação é que a queda no movimento chegue a aproximadamente 20%, em um mês considerado importante para o segmento devido às férias e após um bom desempenho no fim de ano. Em dezembro passado, as vendas no setor aumentaram 11% em relação a 2020, o ápice da pandemia, e recuperaram o patamar de 2019. “O próprio consumidor está receoso novamente”, diz Alexandre.

De acordo com o Boletim Epidemiológico e Assistencial Covid-19, alimentado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a incidência de novos casos por 100 mil habitantes saltou 1.069% nos últimos 21 dias

Doença pegou 60% dos funcionários de bares e restaurantes

Dados da Abrasel-MG (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais) apontam que a quantidade de funcionários afastados por covid-19 ou influenza continua crescendo. Em uma semana, a porcentagem de colaboradores afastados subiu de 58% para 60%.

Não há levantamento sobre queda de movimento, mas, segundo Matheus Daniel, presidente da Abrasel-MG, é perceptível que o período chuvoso e o receio das pessoas diante do aumento de quadros gripais afastaram o público das mesas de bar. Ainda assim, o setor não vê índices que justifiquem medidas como adotar o pedido de comprovante de vacinação para frequentar bares e restaurantes. “O nível de vacinação em BH está muito avançado, nós temos 90% da população vacinada com as duas doses, não há lógica nem necessidade de comprovação. A Abrasel-MG não orienta ninguém a pedir por isso”, afirma.

No caso do empresário Marcelo Valério Ramos, proprietário da First Class, marca de cama, mesa e banho, presente em três shoppings da capital e lojas físicas no Centro e na Savassi, foi preciso remanejamento devido ao afastamento de 30% da equipe de 25 funcionários nos últimos 20 dias. “Pelas regras do shopping, não posso fechar nenhuma unidade, por isso, precisei alocar funcionário de lojas de rua para os shoppings, e até eu mesmo precisei me juntar à equipe nesse momento”, afirma.

Somado ao avanço dos casos de Covid-19, outros fatores levaram a queda de 20% na circulação de clientes nas lojas da rede em relação a 2020 e 25% em relação a 2019. “O home office tirou muitas pessoas das ruas e o coronavírus tirou a circulação de pessoas idosas no shopping, esse público sumiu por medo de contágio. A classe C e D, que sempre foram categorias de consumo importantes, com a inflação estrangulando um salário defasado, só focam em alimentação e itens de primeira necessidade”, analisa Marcelo.

  

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