A chegada da nova linha de crédito imobiliário anunciada pela Caixa vem justamente no momento em que o mercado imobiliário mineiro enfrenta dois desafios: o baixo estoque de imóveis novos e a alta nos preços de apartamentos e casas. 

De acordo com o CMI/Secovi-MG, o estoque de imóveis novos é o menor em 6 anos. O impacto da Covid e o alto custo dos insumos de construção – como cimento, aço e PVC, que chegaram a ter aumentos de até 200% - fizeram com que as construtoras colocassem um pé no freio nos lançamentos de novos empreendimentos durante o 1º semestre do ano passado.

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Sílvio Saldanha: “Os preços vão continuar subindo, isso é um fato. E é por isso que o consumidor tem que ter cautela. Financiamento bancário é coisa séria. Possui legislação específica e bem punitiva em caso de inadimplência”

Segundo Leonardo Matos, diretor da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas de Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), estes fatores influenciaram na disparada dos preços. “Um total de 73% dos imóveis residenciais vendidos em BH são apartamentos. E com estes dois fatores agindo em conjunto, não há como não ter um aumento de preços”, enfatiza.

Já para Kênio Pereira, presidente da Comissão de Direito Imobiliário da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB/MG), a disparada nos preços dos imóveis residenciais é fruto de um movimento natural e cíclico e que começou em 2020.

“As necessidades ori-undas da nova realidade das famílias na pandemia ajudaram e muito nesta subida, mas é um movimento cíclico que também tem sido impulsionado pela maior facilidade no crédito”.

Para Silvio Saldanha, presidente da Associação dos Mutuários e Moradores de Minas Gerais, a tendência do mercado é de um reaquecimento, mas com preços que vão continuar em elevação. “Os preços vão continuar subindo, isso é um fato. E é por isso que o consumidor tem que ter cautela. Financiamento bancário é coisa séria. Possui legislação específica e bem punitiva em caso de inadimplência”, enfatiza.

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