Previsto para entrar em vigor nos próximos meses, o Cadastro Positivo pode garantir a liberação de R$ 18,1 bilhões em empréstimos para micro, pequenos e médios empresários (MPME) mineiros, público que sofre com a burocracia na hora de contratar crédito e com as altas taxas. Segundo pesquisa do Serasa Experian, 253 mil negócios poderiam ser integrados ao sistema financeiro. “Essas empresas não têm score suficiente para fazer empréstimo e, por isso, não têm acesso às linhas de financiamento”, afirma o economista chefe da entidade, Luiz Rabi.

O score de cada empresa (e pessoa) é montado por uma série de informações que ficam à disposição das instituições financeiras. Quanto maior a pontuação, melhores as condições do empréstimo. O problema é que, sem o cadastro positivo, os bancos e cooperativas tinham poucos dados a respeito do interessado na contratação do crédito. Agora, uma série de elementos pode ficar à disposição dos credores, como há quanto tempo a empresa não atrasa as contas, incluindo água e luz.
“Antes, só os dados ruins eram informados. Por isso, os bancos só sabiam das pessoas que estavam inadimplentes. Com o cadastro positivo, as instituições têm mais informações à mão e podem oferecer melhores condições de crédito às pessoas e empresas”, diz Rabi.

Segundo ele, a expectativa é a de que o crédito concedido às micro, pequenas e médias empresas aumente cerca de 35% após o método de ranqueamento começar a vigorar. 

Quem já sentiu na pele a dificuldade para conseguir um empréstimo comemorou o fato de o cadastro positivo entrar em vigor. É o caso da proprietária da RG Bordados, Maria da Glória Avelar de Carvalho Tolentino. Em 30 anos de mercado, a empresária recorreu ao crédito financeiro apenas uma vez. E, mesmo assim, teve dificuldades para conseguir. “Exigiram muitos documentos e garantias. Depois disso, tentei outra vez e não consegui. Aí, desisti, e agora só fazemos investimentos com dinheiro próprio. Mas para as pequenas empresas usarem o dinheiro próprio é difícil”, critica. 

Maria Glória destaca que a agilidade na concessão de crédito pode refletir diretamente em aumento da circulação do dinheiro na praça, beneficiando toda a economia. Além disso, seria possível se planejar melhor. “Imagine uma retomada econômica no médio prazo, com aumento da demanda. Se fosse certo, nós entraríamos com pedido de financiamento agora, para que ele saísse lá na frente. Mas e se a demanda não aumentar?”, pondera.

Com o processo acelerado, ela destaca que será possível esperar o aumento da demanda se confirmar antes de dar início ao processo de contratação do empréstimo. “Poderemos nos planejar de maneira mais organizada. Torço para que dê certo”, comemora.

 

Ao todo, 2,5 milhões de empresas podem ser beneficiadas com mais facilidades de crédito

Com previsão de R$ 18,1 bilhões, Minas Gerais será o segundo Estado do país com maior potencial de injeção de crédito para as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), perdendo apenas para São Paulo. No estado vizinho, o crédito liberado pode chegar a R$ 39,7 bilhões, beneficiando 556 mil negócios. Em todo o Brasil, os empréstimos a serem liberados podem chegar a R$ 180 bilhões, abrindo as portas do sistema financeiros para 2,5 milhões de empresas.

Entre elas, estão dois milhões de micro e pequenas organizações e 500 mil médias. O público nacional que pode ser atingido representa 23% de todas as MPMEs registradas em solo tupiniquim. 

Além de aumentar o crédito, a previsão é a de que as taxas fiquem mais baratas.O motivo é simples. Com mais informações positivas a respeito dos negócios, a expectativa é a de que haja redução na avaliação de risco, derrubando os juros. 

“O crédito é vital à manutenção e à evolução de negócios de todos os portes. No entanto, micro e pequenos empresários, que já estariam elegíveis à contratação de empréstimos e financiamentos, ainda se deparam com o desafio de se habilitarem formalmente para usufruir de propostas mais adequadas aos seus perfis.

A aprovação do Cadastro Positivo pode contribuir positivamente para mudar esse cenário, ao estabelecer no Brasil um sistema de referência internacionalmente adotado, que permite conhecer e entender o comportamento financeiro de consumidores e empresas e promover o uso consciente desse recurso e o crescimento sustentável do mercado de crédito”, afirma o economista da Serasa Experian Luiz Rabi.

Ele destaca que o Brasil é uma das poucas grandes economias globais que não considera uma lista com os bons pagantes. Ainda conforme o representante do Serasa Experian, nos países nos quais o cadastro positivo foi implantado foi percebido aumento de crédito. 

Na avaliação do presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, a desburocratização deve ser comemorada. “O micro, pequeno e até médio empresário tem dificuldade para pegar empréstimos e, consequentemente, para crescer. Às vezes é ótimo pagador, mas não conseguem nem mesmo comprovar o endereço. Imagina dar um imóvel de garantia?”, questiona o representante do comércio.