Elvis Presley e Frank Sinatra tiveram estilos muito distintos, mas compartilhavam coisas em comum. Além de ícones da música norte-americana, os dois dirigiam Cadillac. Aliás, qualquer pessoa que quisesse externar seu sucesso nos Estados Unidos entre os anos 1940 e até o fim do milênio fazia isso com um Caddy. Mas a Cadillac perdeu lastro nos últimos anos, seus modelos foram se tornando defasados, desengonçados e cafonas.

E o pior, a ostentação do acabamento e conteúdos “exclusivos” não eram capazes de acompanhar a sofisticação dos modelos premium alemães e britânicos. O jeito foi buscar uma estratégia generalista, como a novíssima família CT, com as variantes 6, 5 e 4. Mas não se trata de carros para agradar o consumidor norte-americano. Nos EUA, a marca descobriu que o negócio é vender SUVs. Os novos sedãs chegam para atrair a atenção dos emergentes chineses.

Para se ter uma ideia de como a Cadillac viu seu prestígio despencar, em 1985 a marca emplacou 300 mil unidades nos Estados Unidos. No ano passado foram 156 mil carros vendidos. Um dos piores desempenhos desde a crise de 2009. Por outro lado, no varejo global o número salta para 390 mil unidades, um recorde para a marca, graças aos chineses.

Assim o trio de sedãs surge para renovar o fôlego da marca, com a ajuda do mercado mandarim. Aliás, a General Motors, há muito, já tinha encontrado seu novo Eldorado na terra dos pandas. Hoje cerca de 40% das vendas da GM vêm da China. É por isso que Onix Plus e Tracker são produtos desenvolvidos lá e trazidos para cá.

Mas voltemos aos Caddy, em especial o CT4-V, que chega para ser o sedã médio nervoso e garoto propaganda da marca. Recém-lançado, ele chegou para suceder o “musculoso” ATS-V.

Em termos de estilo o modelo atende à nova identidade visual da marca com filetes de LED que escorrem dos faróis até a base do para-choque. Nas gerações passadas, ele ficava junto aos faróis que tinham desenho longitudinal e agora são horizontais. Além de cumprir a função de luz diurna, trata-se de um recurso para marcar sua personalidade, uma vez que seu desenho adota elementos triviais, bem aquém dos marcantes desenhos que a Cadillac tinha nos anos 1950 e 1960. Sejamos francos, não é bonito.

Na traseira, ele também adota lanternas em forma de bumerangue. Assim, junto como o filete de LED, eles criam uma delimitação nas extremidades do carro. Uma forma de não ser confundido com um sedã qualquer.

Mas o que importa no CT4-V está sob o capô. O “V” designa a linha apimentada da marca. E esse Caddy demonstra seu vigor com um compacto 2.7 turbo de 320 cv, que está longe de se equivaler aos 470 cv do antigo V6 biturbo do ATS-V. Apesar de perder 150 cv, o que importa é que o esportivo ficou mais eficiente.

A unidade é combinada com transmissão automática de 10 marchas e ele ainda conta com diferencial traseiro com deslizamento limitado, amortecedores com ajuste magnético de carga e freios Brembo. Ou seja, trata-se de um carro arisco, que não decepciona diante de uma Mercedes-Benz C43 AMG ou de um Audi S4, apesar de ser menos potente. Mas é mais barato que os dois concorrentes. E isso faz muita diferença, seja nos EUA, como na China.