Recuperando-se da crise a passos lentos, o mercado imobiliário de Belo Horizonte acaba de ganhar uma forcinha extra: o investimento estrangeiro. Pesquisa feita pela rede Netimóveis, plataforma e uma das maiores redes de imobiliárias associadas da América do Sul, aponta que o número de buscas por casas e apartamentos no Brasil subiu 70% nos últimos três anos. E a capital mineira aparece em posição de destaque entre as cidades mais buscadas. 

Com o dólar ainda em patamares elevados e a expectativa de valorização dos imóveis em BH, o ambiente se tornou mais favorável para quem mora fora do país, especialmente nos Estados Unidos, e atraiu interessados de olho nos lucros. O comerciante brasileiro Bruno Alves Franca mora nos Estados Unidos há cinco anos e decidiu aproveitar o preço mais baixo e a desvalorização do real para comprar imóveis na capital mineira. 

Até agora, investiu em dois apartamentos no bairro Buritis e um espaço com duas casas, seis salas comerciais e um galpão com escritório no bairro Betânia. “Pretendo revender os apartamentos quando houver uma boa valorização ou deixar como patrimônio para os meus filhos”, diz ele. 
Para o espaço no bairro Betânia, o plano é construir um prédio comercial, em parceria com uma construtora. Enquanto aguarda a valorização, ele gera renda com o aluguel das unidades.

Intercâmbio

No mês passado, representantes da Netimóveis e da Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG) ministraram palestra em Boston, nos Estados Unidos, para apresentar as possibilidades de investimento no mercado mineiro. Um novo encontro já está marcado entre os dias 10 e 14 de abril, na Flórida. 

“Fomos convidados por corretores norte-americanos que querem fazer parcerias com corretores brasileiros”, afirma Leirson Cunha, vice-presidente das Corretoras de Imóveis da CMI/Secovi-MG.

Entre as informações apresentadas aos estrangeiros estão dados do Instituto Data Secovi, antecipados pelo Hoje em Dia na edição de 23 de janeiro. Embora o preço dos apartamentos em BH tenha aumentado 5% entre janeiro e novembro de 2017 e o mesmo período de 2018, a área comercializada subiu 20%, indicando que o poder de barganha do comprador atingiu o ápice. Na prática, significa que é possível comprar uma área maior pagando menos, principalmente para quem ganha em dólar.  “Além de poder negociar um bom preço, o investidor lucra ainda mais com a conversão da moeda”, afirma Leirson Cunha. 

Atrativo

Para o presidente da Comissão de Direito Imobiliário da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG), Kênio de Souza Pereira, o baixo risco jurídico oferecido pelo investimento no mercado imobiliário é um atrativo para quem mora fora. “O risco é muito menor que no mercado de ações, por exemplo, e quem reside no exterior muitas vezes prefere essa segurança”, afirma.

Kênio Pereira também ressalta que o cenário está propício para a retomada do setor imobiliário e a expectativa de valorização é um pontos altos para os investidores. “Há todo um contexto de estabilidade inflacionária e queda na oferta, bastante favorável à recuperação de preços. Só falta a economia voltar a crescer e cair o índice de desemprego para que as pessoas voltem a ter confiança e façam mais financiamentos”, acredita. 

Além Disso

Outro fator que incentivou o investimento, além dos preços atrativos para quem reside no exterior, foi a resolução assinada no fim do ano passado pelo Conselho Nacional de Imigração. A norma autoriza a residência no Brasil, por prazo indeterminado, para imigrantes que comprarem imóveis em área urbana, prontos ou em construção, com recursos próprios. 

Para ter acesso ao benefício, o valor do imóvel deve ser igual ou superior a R$ 1 milhão nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e a partir de R$ 700 mil nas regiões Norte e Nordeste. 

“Além dos norte-americanos, o decreto atrai investidores indianos e chineses, que costumam se interessar por dupla nacionalidade”, afirma o vice-presidente das corretoras de imóveis da CMI/Secovi-MG, Leirson Cunha.

De olho nesse público, algumas imobiliárias já começam a abrir filiais em outros países, como fez o brasileiro Márcio Lanna, diretor e fundador da Alphasul Netimóveis, em Portugal. Acostumado com o caminho inverso, de brasileiros que desejam fazer negócio na Europa, ele agora tenta atrair os olhares dos europeus para o Brasil. Entretanto, o estilo conservador ainda é um obstáculo para fechar negócios.

“Na Europa, existe uma resistência muito grande para investir no Brasil e na América do Sul, por causa da economia instável”, afirma. Segundo ele, alemães e franceses são alguns dos que preferem a segurança na hora de investir, mesmo que tenha uma valorização um pouco menor. 

Ainda assim, Márcio Lanna acredita que as novas políticas do governo federal possam despertar o crescimento no interesse a médio e longo prazo. “Acredito que a nova política econômica e a reforma da Previdência possam trazer mais investimentos para o Brasil. A imagem do país perante o resto do mundo está mudando, a confiança está crescendo, e isso é um bom sinal. Mas os estrangeiros mais conservadores ainda estão esperando para ver o que vai se concretizar neste ano” diz. 

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