A indústria de autopeças precisará de R$ 7 bilhões em investimentos nos próximos dois anos para acompanhar o crescimento das montadoras. Com a perspectiva de expansão do mercado interno e necessidade de adaptação às normas do novo regime automotivo (Inovar Auto), as montadoras planejam injetar, até 2017, R$ 60 bilhões no país, com instalação de novas unidades e ampliação das plantas existentes.
 
O cálculo é da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e foi apresentado ontem pelo diretor do Sindicato Nacional das Indústrias de Componentes para Veículos Automotivos, Fábio Sacioto, durante palestra proferida no Simpósio SAE Brasil Tendências, realizado na Casa Fiat de Cultura.
 
Confiante, ele revelou que os empresários estão aguardando a regulamentação do Inovar Auto no que se refere à produção de peças para as montadoras, na expectativa de que sejam anunciadas medidas que estimulem o crescimento e proporcionem maior integração do setor na cadeia de produção automotiva.
 
Importações em alta

Nos últimos quatro anos, o segmento assistiu ao crescimento das importações de componentes, que saltaram de R$ 9 bilhões em 2009 para R$ 17 bilhões no ano passado. “Apesar do aumento da produção e da venda de veículos, a indústria de autopeças não cresceu ”, afirmou Sacioto.

A reversão deste quadro, segundo ele, depende dos novos investimentos em tecnologia e também da atração de novas empresas.

O setor de autopeças deve fechar este ano com R$ 2,418 bilhões em investimentos, pouco mais do que em 2010, quando o montante alocado chegou a R$ 2,155 bilhões.

Para acompanhar o crescimento das montadoras, atendendo às metas estabelecidas no Inovar Auto, segundo o diretor do Sindipeças, será necessário investir R$ 3,5 bilhões em 2013 e outros R$ 3,5 bilhões em 2014.

Minas Gerais é o segundo Estado em produção de autopeças no país. De acordo com o Sindipeças, a produção hoje utiliza apenas 70% da capacidade instalada.
 

Autopeças

Pesquisa

Além da necessidade de ampliação de linhas de crédito, o setor de autopeças se ressente da falta de estímulos para investir em pesquisa e desenvolvimento, engenharia e tecnologia industrial básica e capacitação dos fornecedores.
 
Quanto às montadoras, a expectativa do setor é a de que, na fase de regulamentação, o governo adote medidas que estimulem as compras locais de componentes e peças, mesmo que os benefícios fiscais sejam estendidos à compras feitas no âmbito do Mercosul.
 
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