Com FGTS na mão, dica é pagar dívidas ou investir

Paulo Henrique Lobato
17/07/2019 às 20:28.
Atualizado em 05/09/2021 às 19:35

Na tentativa de fomentar a economia nacional, que este ano deverá crescer menos de 1%, o governo federal decidiu liberar aos trabalhadores o saque de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) das contas ativas, ou seja, daquelas cujos contratos estão em vigor. A medida pode injetar R$ 42 bilhões na economia.

A estratégia foi confirmada pelo presidente Jair Bolsonaro ontem, na Argentina, onde ele participou da 54ª cúpula de chefes de Estado do Mercosul. O anúncio será oficializado nesta quinta ou na sexta-feira.

Faltam apenas detalhes. Já está decidido que o saque de parte do FGTS levará em conta o quanto o trabalhador tem depositado.

Em princípio, a retirada irá obedecer a seguinte tabela: quem tem até R$ 5 mil poderá resgatar 35% do valor; o trabalhador que tiver até R$ 10 mil poderá retirar 30%; acima de R$ 50 mil, 10%. Além destas três faixas, haverá uma quarta, mas cujo valor ainda não foi definido pelo governo. Trata-se daqueles que têm entre R$ 10 mil e R$ 50 mil.

O governo também deverá confirmar a possibilidade dos saques apenas no mês de aniversário do trabalhador, a exemplo de 2017, quando o então presidente Michel Temer autorizou a retirada do FGTS para contas inativas.

Dicas

Para quem está de olho nesse dinheiro extra, é bom tomar alguns cuidados na hora de usá-lo. Economistas sugerem, primeiramente, o pagamento de dívidas, sobretudo pelos inscritos em cadastro de maus pagadores, pois é uma forma de a pessoa retornar a ter crédito.

“Como política de curto prazo, (o saque do FGTS) é muito bom, pois pessoas podem quitar dívidas e aumentar um pouco da renda em circulação. Isso pode atrair investimento e até melhorar o nível de contratação. Mas é preciso cuidado, porque o FGTS é a poupança futura do trabalhador. É preciso planejamento”, aconselha a economista Ana Paula Bastos, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH).

Já Guilherme Almeida, economista-chefe da Fecomércio-MG, sugere ao trabalhador que está com o nome limpo investir em aplicações financeiras. “Do ponto de vista financeiro não é vantajoso deixar o dinheiro no FGTS, que rende 3% mais TR. Só que a Taxa Referencial está em 0%. É melhor, por exemplo, aplicar no título do tesouro Selic, com rendimento de 6,5% ao ano. Ou no CDB (Certificado de Depósito Bancário), geralmente em torno de 6,3% (nos bancos tradicionais). Se eu tiver oportunidade, vou sacar”, disse Almeida.

Tanto a CDL-BH quanto a Fecomércio-MG avaliam com bons olhos os saques do Fundo de Garantia, pois o varejo e o atacado provavelmente vão ganhar com a migração do dinheiro das contas do FGTS para o bolso do consumidor. “O comércio tende a se beneficiar, porque há pessoas que usam o recurso para consumo, o que impacta o varejo”, avaliou Almeida.Editoria de Arte

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