No apagar das luzes de seu mandato à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR), a procuradora Raquel Dodge solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que um inquérito contra o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), que tramita na PGR, seja transferido para a Justiça Federal do Rio de Janeiro. As informações foram divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da PGR.

O processo apura as denúncias de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por parte de Aécio. As investigações apontam que o tucano, enquanto senador, teria recebido propinas de empresas contratadas por Furnas Centrais Elétricas. A lavagem de dinheiro teria sido realizada por pessoas jurídicas ligadas a Andréa Neves, irmã de Aécio, e por doleiros, que enviavam valores para o exterior.

“É forte a possibilidade de que o pagamento de vantagem indevida a Aécio Neves da Cunha no esquema de Furnas tenha ocorrido na conta titulada pela Bogart and Taylor Foundation no Principado de Liechtenstein. Todavia, a continuidade dessas diligências não cabe mais à PGR e sim ao órgão ministerial que atua perante a primeira instância”, diz um dos trechos do parecer, segundo publicação no site da PGR.

Em nota divulgada pelo advogado Alberto Zacharias Toron, a defesa de Aécio volta a negar as acusações e diz que todos os fatos citados já foram apurados, sem que houvesse comprovação de veracidade.

“A manifestação do MPF, feita no apagar das luzes da gestão da ex-procuradora Raquel Dodge, vale-se mais uma vez de fatos já apurados e arquivados para buscar a injustificável perpetuação de uma investigação carente de provas mínimas. Foram inúmeros os prazos requeridos pelo MP ao longo de mais de três anos, sem produção de nenhum elemento que apontasse para qualquer ilegalidade que teria sido cometida pelo deputado Aécio Neves”, diz a nota.

O advogado informa ainda que o tucano apresentará as devidas explicações ao Supremo. “A defesa do deputado se manifestará junto ao STF para sanar os graves equívocos da manifestação do MP e confia que o destino dessa investigação será o seu imediato arquivamento”, conclui.

Raquel Dodge deixou o cargo de procuradora-geral da República na última terça-feira (17), após um mandato de dois anos. Ela não conseguiu ser reconduzida ao cargo. No lugar dela, assume interinamente o subprocurador Alcides Martins, até que subprocurador Augusto Aras, indicado para o cargo pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), seja sabatinado e aprovado pelo Senado, o que está previsto para acontecer na próxima semana.