Menos de uma semana após entrar em vigor a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que altera as normas para a obtenção das carteiras de habilitação, quem pretende dar entrada no processo já encontra os pacotes em autoescolas de Belo Horizonte com preços até 15% menores. Segundo o Sindicato dos Proprietários de Centros de Formação de Condutores de Minas Gerais (Siprocfc-MG), os pacotes, que variam de cerca de R$ 1.300 a mais de R$ 2 mil - dependendo da região da cidade -, já são encontrados custando, aproximadamente, R$ 300 a menos. 

A resolução publicada em junho deste ano passou a valer em todo o país na última segunda-feira (16). Entre as principais mudanças estão a diminuição da carga horária das aulas, a suspensão por doze meses das aulas teóricas e práticas para obtenção da Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC) e o fim da obrigatoriedade do simulador de direção na categoria B (carro). Também passou a ser exigida uma hora de aula prática durante a noite para alunos em formação aprenderem a conduzir motos, carros ou ciclomotores.

O Hoje em Dia procurou algumas autoescolas da capital e todas elas já apresentavam preços menores desde que as mudanças passaram a valer. Na Auto Escola Canadá, do bairro Betânia, região Oeste de BH, o sócio-proprietário Rômulo Oliveira conta que o preço das aulas com simulador caíram, sendo R$ 1.250 à vista, enquanto sem o simulador está em R$ 1.399. 

"Como é opcional, a gente dá a opção se a pessoa quiser fazer, já que temos o simulador e não temos como desfazer dele. Mas, geralmente, a procura é maior sem o simulador, mesmo com ele eu conseguindo fazer um preço menor, uma vez que troca-se cinco aulas no carro pelo simulador", explica. 

Na autoescola Ricardo & Cia, localizada no bairro Santa Inês, região Leste da capital, o fim da obrigatoriedade do simulador fez com que a procura por esse serviço despencasse. Isso ocorre pois o pacote com o serviço custa R$ 1.500 e, sem o simulador, por R$ 1.280. "Depois dessa lei não tivemos nenhum aluno que comprou com o simulador. Como não é mais obrigatório, não é muito do interesse deles", conclui o auxiliar administrativo Rafael Yoshimura dos Santos. 

Barato que pode sair caro

O presidente do Siprocfc-MG, Alessandro Geraldo Dias, explica que, a princípio, essas mudanças podem dar a sensação de redução de preços, já que o número de aulas práticas caiu de 25 para 20 h/aula. "O grande ponto é que, com a redução das aulas, pode ser que as pessoas não estarão preparadas para o teste de direção. Com isso, eles podem ser reprovados e ter que repetir o procedimento, gastando até mais do que antes", explica. 

Por conta disso, a orientação de Dias é que a pessoa só agende o exame de direção quando tiver segurança de que está preparado para o mesmo. "Essa é a melhor forma de a pessoa gastar menos dinheiro", conclui. 

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