DAMASCO - Ao menos 16 soldados do exército sírio morreram neste domingo (24) em combates contra os rebeldes na província de Aleppo, no norte do país, num momento em que cresce a tensão com a Turquia, que pediu uma reunião da Otan depois que um caça turco foi derrubado pela Síria.

A Turquia exigiu neste domingo uma reunião da Otan em relação ao seu avião derrubado na sexta-feira (22) pela Síria, cujo regime perdeu mais soldados nos episódios de violência com um balanço que supera agora regularmente os 100 mortos diários.

Depois dos 116 mortos de sábado (23), a repressão e os combates deixaram ao menos 34 vítimas na manhã deste domingo, das quais 18 soldados que morreram em combates contra rebeldes na madrugada na província de Aleppo (norte), segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Do outro lado da fronteira, as autoridades turcas, que no sábado optaram pelo apaziguamento, afirmaram que o caça turco derrubado na sexta-feira no Mediterrâneo voava no espaço aéreo internacional, a 13 milhas náuticas da Síria, para uma missão de treinamento sem armas.

Ancara exige uma reunião de urgência da Otan no âmbito do artigo 4 do tratado fundador da Aliança, que permite consultas "todas as vezes que (...) a integridade territorial, a independência política ou a segurança de uma das partes estiver ameaçada".

A Aliança Atlântica confirmou que a reunião será realizada na terça-feira.

Os dois pilotos estão desaparecidos, e a aeronave, embora já tenha as suas coordenadas geográficas conhecidas, ainda não foi localizada, segundo a chancelaria turca.

"Sabemos em que zona das águas sírias nossa aeronave caiu, mas ainda não conseguimos encontrá-la", afirmou à AFP o porta-voz do ministério das Relações Exteriores turco, Selçuk Ünal.

Pouco antes, a rede de televisão turca CNN-Türk havia afirmado que as equipes de socorro localizaram neste domingo no Mediterrâneo os destroços do caça.

Já o ministro turco das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, advertiu Damasco neste domingo, ao afirmar que "ninguém pode se permitir colocar à prova as capacidades (militares) da Turquia", insistiu.

As relações entre Ancara e Damasco, dois aliados antes do movimento de contestação contra Bashar al-Assad, iniciado em março de 2011, estão muito tensas.

A Turquia convocou a saída do presidente sírio e recebeu em seu território 32.500 refugiados sírios, assim como os soldados rebeldes e a oposição política.

Antes destas declarações, o porta-voz do ministério sírio das Relações Exteriores, Jihad Makdessi, repetiu que o avião turco havia sido derrubado "no interior do espaço aéreo sírio" e que se tratava "de um incidente, e não de uma agressão".

"Exercemos nosso direito de defesa. Não há animosidade entre nós e a Turquia, mas uma tensão política", acrescentou, em declarações ao jornal Al Watan, próximo ao poder.

O chanceler turco, por sua vez, reconheceu neste domingo que o avião entrou momentaneamente no espaço aéreo sírio, mas afirmou que depois foi derrubado sem advertência prévia pelos sírios, quando se encontrava novamente no espaço aéreo internacional, caindo em águas territoriais sírias.

O Irã, aliado de Damasco, pediu à Turquia e à Síria que deem provas de moderação neste caso.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, demonstraram sua "profunda preocupação" em relação ao caso do avião turco derrubado.

Ao mesmo tempo, a violência chegou a um novo nível crítico na Síria, com balanços diários que se aproximam ou superam a centena de mortos há uma semana.

Ao meio-dia local deste domingo, o balanço já era de 34 mortos, mais da metade soldados do exército regular, segundo o OSDH, que se baseia em testemunhos de militantes no local.

No plano político, o regime anunciou no sábado a formação de um novo governo. Embora o antigo gabinete tenha se mantido, pela primeira vez foi criada uma pasta de "reconciliação nacional".

O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão da oposição, denunciou imediatamente que "é o clã (de Assad) que governa. Não há nenhuma mudança verdadeira", declarou à AFP Abdel Basset Sayda, chefe do CNS, reiterando seu chamado à saída de Assad.