Os combates foram retomados neste domingo (29) em Aleppo, a segunda maior cidade da Síria, onde os rebeldes que lutam contra o regime de Bashar al-Assad permanecem entrincheirados em alguns bairros, enquanto a oposição exige armas e uma reunião com a ONU para impedir um massacre.

Os bombardeios obrigaram milhares de habitantes de Aleppo a fugir em busca de refúgio em regiões da cidade poupadas pelos combates ou em cidades controladas pela rebelião.

O mediador internacional para a Síria, Kofi Annan, afirmou que teme "a concentração de tropas e armas pesadas nos arredores de Aleppo", fazendo um apelo para que as partes envolvidas no conflito trabalhem para uma solução política para o conflito sangrento no país.

Em visita a Teerã, um dos poucos aliados de Damasco, o chefe da diplomacia síria, Walid Mouallem, assegurou que os rebeldes serão, "sem dúvida, derrotados" pelo Exército sírio e acusou "o Qatar, a Arábia Saudita, a Turquia e os países estrangeiros" de apoiarem os insurgentes, fornecendo armas.

Após uma pausa nos combates na tarde de sábado, os confrontos recomeçaram em Aleppo, onde os rebeldes resistem às ofensivas do Exército apoiado por helicópteros.

Tanques de guerra tentaram atacar novamente o bairro de Salaheddine, reduto rebelde, mas foram expulsos pelo Exército Sírio Livre (ESL), formado por desertores e civis armados, declarou Abou Hicham al-Halabi, um militante contactado via Skype.

Outro rebelde, Abou Alaa, indicou que os combates se concentram em Salaheddine, mas que os "confrontos também prosseguem em Bab al-Hadid e em Bab al-Nasr", perto de Aleppo, considerada patrimônio mundial da Humanidade pela Unesco.

Explosões foram ouvidas em outros bairros, enquanto aviões sobrevoavam a cidade, cujo controle é crucial para ambos os lados, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

O chefe do conselho militar rebelde de Aleppo pediu ao Ocidente a criação de uma zona de exclusão aérea sobre o norte da Síria e acusou o regime de preparar "um massacre" nesta cidade.

"Nós pedimos ao ocidente apenas uma zona de exclusão aérea (...) estamos prontos para derrubar o regime", afirmou o coronel Abdel Jabbar al-Oqaidi em uma entrevista com a AFP.

O coronel Oqaidi indicou que o Exército "tenta atacar Salaheddine com tanques, mas o ESL resiste e lhes causou perdas substanciais".


"Libertar Aleppo de terroristas"

Segundo o jornal oficial Al-Watan, "o Exército sírio iniciou uma operação muito delicada em Aleppo para (...) restabelecer a autoridade da lei e libertar os habitantes de terroristas enviados de diferentes regiões do mundo para derrubar o Estado, semear o caos e matar o máximo de sírios".

A frente de Aleppo foi aberta em 20 de julho e o Exército iniciou a ofensiva depois de receber reforços.

No sábado, Abdel Baset Sayda, presidente do Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão opositora, pediu aos países "irmãos" e "amigos" que forneçam armas aos membros do ESL, que combatem com velhas armas.

"Queremos armas que permitam deter os tanques e os aviões de combate", acrescentou Sayda.

Em um comunicado deste domingo, o CNS pediu uma reunião "de emergência" com o Conselho de Segurança da ONU para impedir o massacre de civis que o regime está prestes a cometer em Aleppo. Ele também exige "uma zona de exclusão aérea e a instauração de zonas de segurança para os cerca de dois milhões de refugiados".

Já o papa Bento XVI lançou um apelo pelo fim imediato do derramamento de sangue na Síria, pedindo à comunidade internacional que faça tudo para ajudar a solucionar o conflito.

Mais de 20.000 pessoas morreram desde o início da contestação, incluindo 14.000 civis, segundo o OSDH.


Em meio aos conflitos, jornalista é atingido

Um jornalista freelance francês, Pierre Torres, que colabora com vários meios, inclusive a AFP, foi ferido com um tiro este domingo (29) na cidade síria de Alepo, onde as forças governamentais desenvolvem uma ofensiva, informou à France Presse um dos seus colegas.

Pierre Torres, de 28 anos, foi atingido por um tiro no ombro, segundo um jornalista espanhol que o viu assim que foi ferido.

Torres foi levado para a Turquia para ser atendido, segundo o repórter, que não pôde dar detalhes das circunstâncias em que o francês se feriu.

Pierre Torres estava há duas semanas na Síria, onde fez reportagens na região de Jablal Al Zawiyeh e tinha estado no local do massacre de Treimsa, antes de ir para Alepo antes de o governo desencadear, na sexta-feira, uma ofensiva contra os rebeldes.