A celebração do Ano Novo Lunar em Hong Kong se transformou em caos após cidadãos e policiais entrarem em confronto nesta terça-feira (9). Mais de 80 pessoas ficaram feridas e ao menos 60 foram presas.

O incidente começou quando os policiais tentaram impedir que vendedores ambulantes de comida sem licença trabalhassem na segunda-feira à noite em Mong Kok, bairro operário de Hong Kong. A venda de alimentos pelos ambulantes é uma tradição local no Ano Novo Lunar. A ação dos policiais provocou a reação de ativistas que decidiram apoiar os ambulantes em defesa da cultura local da cidade e em oposição à tentativa do governo chinês de impor seu poder sobre Hong Kong.

Os manifestantes jogaram pedaços de madeira e latas de lixo nos policiais e também atearam fogo na rua. Em resposta, os policiais reagiram com golpes de cassetete e spray de pimenta e também fizeram dois disparos para o ar na tentativa de dispersar a multidão.

Em comunicado, a polícia de Hong Kong alega que os manifestantes não apenas ignoraram os alertas para que deixassem a rua como empurraram os oficiais. Sessenta e uma pessoas com idade entre 17 e 70 anos foram presas por suspeita de agressão e obstrução à ação dos oficiais, resistência à prisão e desordem pública. Ainda segundo um comissário de polícia de Hong Kong, alguns também são suspeitos de motim, medida que não era adotada desde 1967, quando grupos fizeram motim como forma de apoiar a revolução cultural chinesa e se rebelar contra o domínio colonial britânico. A polícia informou também que mais de 80 policiais e quatro repórteres ficaram feridos.

O chefe do executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, afirmou que uma multidão atacou policiais e jornalistas e que carros de polícia e edifícios públicos também foram danificados. "Acredito que o público pode ver por si mesmo, nas notícias da TV, a gravidade da situação", declarou. As autoridades locais ainda investigam se os protestos teriam sido organizados com antecedência.

O confronto dá sequência às tensões que se iniciaram na cidade no final de 2014, quando ativistas ocuparam as ruas do populoso bairro de Mong Kok por aproximadamente 11 semana exigindo maior liberdade eleitoral. Fonte: Dow Jones Newswires.