A reeleição de Alexandre Kalil para a Prefeitura de Belo Horizonte no primeiro turno destas eleições o confirma como um dos principais líderes políticos do Estado. Enquanto nomes que já ocuparam essa mesma liderança - como Aécio Neves, Antonio Anastasia e Fernando Pimentel - acabaram no ostracismo, Kalil vive um momento chamado na política de "vitória de pico", de consagração. A partir desta avaliação, o cientista político Rudá Ricci traça o que considera os próximos desafios do prefeito reeleito no comando da capital e o aponta como o mais forte candidato ao governo de Minas, nas eleições de 2022.

Políticos eleitos para cargos no Executivo, para governar, têm um tempo de atividade muito pequeno no século 21, pondera Ricci, por ser uma época de grande transitoriedade na decisão do cidadão. "O mercado de trabalho mudou. As novas tecnologias vêm substituindo o trabalho estável que tínhamos antes. É a lógica de funcionamento. A quantidade de informação que chega ao eleitor o faz mudar de posição de uma hora para a outra. Há uma instabilidade enorme do eleitor, do cidadão no século 21, porque não consegue encontrar um governante que fale para  tantos interesses diferentes", explica.

Kalil, no entanto, diz Rudá Ricci, teve duas vantagens enormes, neste período de tantas dificuldades. A primeira delas, por mais antagônico que possa parecer, foi, na visão do cientista político, a pandemia. Isso, porque o prefeito teria agido com firmeza na tomada de decisões que preservaram vidas na capital. Para o pesquisador, ao optar por manter o isolamento social por mais tempo em BH, por sustentar o fechamento do comércio ao longo de meses, Kalil teria agido como um "pai". "Pesquisa feito no país com jovens de 15 a 39 anos revelou que 75% tinham medo de adoecer ou de perder um familiar próximo para a Covid-19. O brasileiro pode fingir que não está com medo, mas, estudos como esse confirmaram que há um medo muito grande da pandemia".

O outro trunfo de Kalil apontado por Ricci foi ter reunido em seu governo vários grupos antagônicos da sociedade. "As secretarias da área social, por exemplo, têm gente do PT e do PCdoB. Não é à toa que o Nilmário Miranda amargou índices tão baixos de intenção de voto", observou. Além disso, destaca, o primeiro líder do governo na Câmara foi Gilson Reis, do PCdoB, que atraiu muita gente de esquerda e de direita para apoio ao Executivo municipal, a exemplo de Leo Burguês (PSL), atual líder do governo na Casa.

Desafios
E quais serão os desafios de Kalil agora, na nova gestão à frente da PBH? Ele terá, acredita Rudá Ricci, de armar a reconstrução da economia da cidade, da estrutura social, para os mais pobres. " A gestão precisará ser, logo de início, muito enérgica no que diz respeito à economia, à assistência social. A educação também será um importante problema que terá de enfrentar. Conduzir a volta dos alunos às escolas".

Na investida que deve fazer rumo ao governo do Estado, reflete Ricci, Alexandre Kalil precisará preparar seu vice, o ex-secretário municipal de Fazenda  Fuad Noman (PSD), para assumir seu lugar à frente do Executivo. Além disso, ele próprio - Kalil - terá que investir em levar seu nome ao conhecimento do eleitor do interior de Minas. "Ele poderá começar trabalhando mais a região metropolitana", fala Ricci.