Em tempos de queda na renda e desemprego elevado, as promessas de dinheiro fácil têm levado muitos trabalhadores a caírem nas garras de oportunistas. Nesse cenário, os esquemas de pirâmides financeiras e mandalas estão ganhando força no mercado e atraído cada dia mais pessoas. No entanto, especialistas alertam que é necessário desconfiar de ofertas que pareçam extremamente vantajosas.

Considerada crime contra a economia popular desde 1951, a pirâmide financeira é caracterizada pelo enriquecimento de um pequeno número de pessoas mediante recrutamento de muitos participantes. Para ter acesso ao grupo, os novos membros precisam desembolsar algum valor, que sustenta os que estão acima deles. 

Já a mandala é uma nova versão da pirâmide. Ela funciona da seguinte maneira: é formado um grupo que participa de quatro níveis diferentes (fogo, ar, terra e água), sendo 8 pessoas no primeiro nível, 4 no segundo, 2 no terceiro e 1 no centro. Quando a pessoa entra, ela deve investir um valor X: R$125, por exemplo. Para a mandala rodar, é necessária a entrada de novos integrantes. Ao chegar ao centro da mandala, a pessoa receberia 8 vezes o valor investido, ou seja, cerca de R$1 mil, por exemplo. À medida que o grupo aumenta, ele é desmembrado em outros. E depois que a pessoa recebe, ela pode, se quiser, reiniciar outro ciclo.

O coordenador do Procon da Assembleia, Gilberto Dias de Souza, é enfático sobre esse tipo de negócio.“Ninguém ganha dinheiro fácil e rápido legalmente. Se ganhar tanto dinheiro assim fosse simples e fácil, os bancos adotariam o sistema de pirâmide e mandala. E todos os trabalhadores também. Minha primeira dica é não acreditar e não entrar nesses esquemas. Se entrar e se der mal, vá a alguma delegacia e faça boletim de ocorrência”, diz o representante do direito dos consumidores.

Ele ressalta que os líderes dos grupos que atuam com pirâmides e mandalas têm excelente poder de convencimento e ótimos argumentos. Por isso, é comum os novos adeptos acreditarem com facilidade no que eles dizem. 

“Além disso, é comum eles empurrarem os produtos para pessoas mais vulneráveis, com baixa escolaridade ou idosos, por exemplo. E isso também é crime de acordo com o Artigo 39, inciso IV do Código de Defesa do Consumidor (CDC)”, diz. 

Há, ainda, o Marketing Multinível, que não é ilegal. Neste caso, o lucro dos participantes vem da venda de produtos. Em alguns casos, uma rede de distribuidores é formada, premiando os líderes do grupo. No entanto, a remuneração prioritária é resultado da comercialização.

Nos últimos dias, têm surgido dezenas de grupos no Facebook, além de vídeos explicativos no YouTube, para atrair participantes mediante pequenas doações, que variam de R$ 1 até R$ 20, e a promessa de multiplicação de ganhos. O aplicativo PicPay é utilizado para que o esquema vá adiante.

Por meio do PicPay é possível receber e transferir dinheiro. A empresa oferece um bônus de R$10 para quem baixa o app. Mas é preciso um código de acesso, geralmente cedido por um amigo.

Na formação da pirâmide que usa o app, quem cede o código “pede” para o amigo beneficiado o crédito desse bônus, uma retribuição ao código de acesso. E, assim, o captador faz do app uma fonte de arrecadação. “Dá pra ganhar de R$100 a R$150 por dia”, afirma uma usuária em uma rede social.

Assim como acontece em toda pirâmide financeira, em algum momento não haverá novos participantes em volume suficiente para sustentar o esquema e os últimos a entrar ficam no prejuízo.

Segundo o PicPay, o usuário não precisa pagar R$10 pelo código de acesso e que os R$10 de bônus podem ser usados pela pessoa da forma que ela quiser, como é explicado na página do app na internet.
 
“Como nossos serviços nunca tiveram como objetivo se tornar uma fonte de ganho de dinheiro fácil, adotamos algumas medidas para combater essas práticas como notificação e bloqueio dos perfis, limitação de compartilhamento do código promocional para até 03 amigos e sistema de monitoramento automático das conversas que identifica e apaga qualquer atividade que seja ilícita”, informou o app.

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