O empresário da construção civil em Minas Gerais passou os últimos dois anos pessimista em relação ao mercado, mas agora começa a esboçar uma melhora na expectativa de investimentos no setor.

Nos últimos quatro meses, o Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção no Estado apresentou a maior variação desde o início da série histórica, em fevereiro de 2010. De junho a julho, saltou de 33,7 para 39,3, o que representa um incremento de 5,6 pontos.

A economista Érika Amaral, da Fiemg, explica que o resultado representa principalmente a expectativa de negócio para os próximos seis meses. 

“A chance de que a economia esteja melhor é grande. Mas ainda não podemos falar que é muito grande, porque o indicador ainda não ultrapassou a linha dos 50 pontos”, argumenta. É essa linha que separa o otimismo do pessimismo.

Evolução

Apesar disso, a expectativa dela é que nos próximos meses a evolução continue. “Alguns estados, como o Espírito Santo, já chegaram aos 50 pontos. A gente espera que em Minas isso aconteça até o fim do ano”, afirma.

Quando a pesquisa começou a ser feita, em fevereiro de 2010, o índice estava em 72,9 pontos, e se manteve acima da casa dos 70 pontos ao longo daquele ano. Nos dois anos seguintes, manteve-se acima dos 50 pontos, e só começou a oscilar abaixo desse patamar em 2013. A última vez que esteve acima da linha foi em março de 2014 (50,4).

Na opinião da economista, essa boa evolução dos indicadores coincide com diversos fatores de melhoria na atividade econômica, principalmente com mudanças na economia e na política.

Consistência

Para o economista e coordenador sindical do Sindicato da Construção de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Daniel Furletti, os indicativos do governo interino de Michel Temer (PMDB) têm agradado ao empresariado.

“A gente nota que já está dando sinais de melhora, de estabilização. Nós vivíamos uma crise econômica sem precedentes. Agora, a gente observa uma política econômica mais consistente. O governo ainda não tomou decisões concretas, mas sinalizou, através das propostas para a economia, que tem que se mexer nas questões estruturais: ajuste fiscal, maior seriedade das contas públicas, controle da inflação, reforma trabalhista, tributária, previdenciária”, observa.