A conta de luz dos clientes da Cemig vai ficar 7% mais cara a partir deste mês na comparação com junho, quando vigorava a bandeira verde. O índice é superior ao dobro da inflação registrada em 12 meses, que somou 3,63% . A alta é reflexo do “hasteamento” da bandeira vermelha patamar 2, anunciado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ontem.

Como consequência, haverá incremento de R$ 3,50 a cada 100 quilowatts-hora (KWh) consumidos pelos mineiros, que pagam R$ 49,41 pelo mesmo volume. Segundo especialistas, a previsão é a de que a cobrança extra permaneça até o fim do ano. “A única dúvida é com relação a dezembro, primeiro mês do período úmido. Até lá, o consumidor vai precisar pagar mais pela energia”, afirma o CEO da América Energia, Andrew Storfer.

Essa é a primeira vez que a bandeira vermelha patamar 2 é acionada. Até ontem, vigorava a bandeira amarela, com custo adicional à conta de luz de R$ 2,50 a cada 100 KWh, um extra de 5%.

A cobrança adicional tem o objetivo de arcar com o combustível das termelétricas. Elas são ligadas quando nível dos reservatórios das hidrelétricas está baixo, sendo necessário um complemento das usinas movidas a carvão, óleo e gás natural, por exemplo.

Conforme dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), o nível dos reservatórios do subsistema Sudeste e Centro Oeste, que representam 70% da geração elétrica nacional, chegou a 25,48% em setembro. O índice é o pior para o mês desde 2001, quando atingiu 20,6%. Naquela época, a falta de chuvas afetou drasticamente o fornecimento energético brasileiro. Para sanar o problema, foi considerada a possibilidade de realizar “apagões” em todo o Brasil. A política de racionamento foi cancelada após chuvas intensas em dezembro.

Agora, o país vive problema semelhante. A situação só não é pior porque o desempenho da indústria é baixíssimo devido à crise. Conforme especialistas, o sistema elétrico nacional já teria entrado em colapso se a recuperação econômica acompanhasse as boas expectativas do governo, que não têm refletido em números.

Em março, a bandeira vermelha já havia sido acionada, encarecendo a conta de luz de abril, início do período seco. A previsão, na época, era a de que ela vigorasse até o final do ano. Em agosto, porém, foram desligadas algumas térmicas e acionada a bandeira amarela para setembro, achatando o custo da energia durante um mês. Sem chuvas, foi necessário impactar, de novo, o bolso do consumidor.

Conforme explica Storfer, o acionamento das bandeiras é realizado após uma análise matemática do ONS. “O ONS é quem decide se será necessário ligar térmicas ou não. A decisão é feita por meio de um programa matemático. Esse programa entendeu que em 30 de novembro, último dia do período seco, os reservatórios estariam com apenas 20% da capacidade. Isso é muito baixo. Por isso, foi necessário acionar a bandeira vermelha”, diz.

 

Cemig estende PDV até o dia 17 deste mês e reduz benefícios

Endividada, a Companhia Energética de Minas Gerais estendeu o Programa de Desligamento Voluntário (PDV), que terminava hoje. A intenção é enxugar ainda mais a folha de pagamento no longo prazo. Agora, os funcionários que quiserem se desligar da empresa têm até 17 de outubro para tomar a decisão. Até ontem, antes do anúncio, cerca de 700 pessoas aderiram ao programa. A estatal possui 6 mil colaboradores.
A proposta foi feita a todos os empregados na tarde de ontem, durante uma reunião na sede da Cemig, localizada no bairro Santo Agostinho, região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Inicialmente, os empregados que quisessem sair da empresa receberiam uma espécie de premiação, como salários extras. Agora, porém, serão pagos apenas o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a multa sobre o FGTS.
A companhia precisa reduzir despesas para amortizar uma dívida de R$ 12,5 bilhões, com vencimento até 2024. Como o dinheiro em caixa é insuficiente (R$ 2 bilhões), é necessário tomar outras frentes.
Paralelamente ao PDV, ela realiza um programa de venda de ativos. A intenção é comercializar tudo o que não está no core business da companhia. Ou seja, o que não faz parte dos negócios diretos da empresa: geração, distribuição e transmissão. Empresas em que a Cemig não é majoritária também estão na mira.
Entram no bolo a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), a Renova, de energia eólica, e a Light, subsidiária da Cemig no Rio de Janeiro.
Vale ressaltar que com a perda das quatro usinas para o governo federal, haverá ainda mais impacto no caixa. Na última quarta-feira, as hidrelétricas de Jaguara, Miranda, Volta Grande e São Simão, a maior da estatal, foram leiloadas. Juntas, elas representavam 50% do que era realmente gerado pela Cemig e grande parte do faturamento da Cemig Geração. Italianos, chineses e franceses são os novos donos das usinas.