A Serasa modificou a forma de cálculo do score de crédito – espécie de “nota” que empresas e instituições financeiras analisam para decidir se vão aceitar ou não clientes que pedem empréstimos ou querem fazer uma compra parcelada, por exemplo. O novo modelo, chamado de Score 2.0, dá mais peso aos pagamentos feitos em dia, como o do cartão de crédito, e a bons hábitos financeiros. Ao mesmo tempo, reduz a relevância atribuída ao histórico de dívidas. 

Com a troca da metodologia, haverá mudanças na pontuação de cada pessoa cadastrada na plataforma. Os consumidores poderão acompanhar inicialmente a atualização do score pelo aplicativo da Serasa e as mudanças na pontuação serão explicadas para cada usuário do sistema. 

Segundo Lucas Lopes, diretor da Serasa, a atualização do sistema vai ajudar quem já esteve inadimplente a voltar a conseguir crédito mais rápido. Além disso, permite um alinhamento mais fiel à realidade financeira atual dos consumidores. Vale lembrar, porém, que a pontuação é apenas um dos critérios avaliados pelo mercado antes de autorizar empréstimo, liberar financiamento ou emitir cartão de crédito. 

Para o consultor financeiro Paulo Vieira, a alteração faz com que as instituições financeiras “valorizem o histórico positivo dos clientes” e tentem diluir os riscos de conceder crédito, aumentando a base de potenciais credores. 

“É uma mudança de visão de quem gera os empréstimos. O crédito faz alavancar a economia. É uma forma de melhorar o crédito, não só em quantidade, mas em qualidade”, destaca.

Entenda

O Serasa Score é um sistema de pontuação de crédito. Vai de 0 a 1.000 e indica as chances de o consumidor pagar as contas em dia. Quanto mais alta for a pontuação, mais chances ele terá de conseguir crédito, seja na forma de empréstimos, financiamentos, na assinatura de serviços, na obtenção de cartão de crédito ou em compras parceladas.

A mudança feita esta semana pela Serasa altera a “participação” de diferentes itens na nota. Créditos pagos em dia, por exemplo, passam a ter um peso de 43,6% na composição do Score – antes, representavam 13,9%.

Já o tempo em que a pessoa usa crédito e paga em dia, fator considerado “positivo” para ranquear o consumidor, subiu de 8,4% para 10,1% na composição do “boletim”. Em contrapartida, o histórico de dívidas não pagas, mesmo antigas, caiu de 30,2% para 13,7%.

Riscos

As mudanças na composição do novo Score da Serasa podem incentivar consumidores a planejar a tomada de crédito a curto e médio prazo. Mas por mais tentadora que seja a oferta, é preciso analisar os riscos antes de se endividar, orienta economista.

A maquiadora Natiele Paiva, de 29 anos, está animada com a possibilidade de ampliar o próprio negócio já no segundo semestre de 2021.

Atuando no ramo da beleza há seis anos, Natiele viu, na pandemia, a chance de fazer deslanchar uma plataforma de cursos on-line de automaquiagem. Com o interesse das clientes e o aumento da procura, a maquiadora busca agora um estúdio maior para abrigar as aulas práticas, já pensando na demanda pós-vacinação.

A empreendedora acredita que vão pesar a favor dela o nome limpo na “praça” e o histórico de boa pagadora, por isso comemora o novo sistema de pontuação do Score da Serasa.

“Na última consulta que fiz minha nota era 900. Com as mudanças, vai ficar ainda mais fácil conseguir o crédito que preciso”, aposta.

No entanto, a tomada de crédito neste momento de incertezas econômicas precisa sempre ser bem avaliada, diz Paulo Casaca, economista do Ibmec. Ele recomenda estudar todos os riscos possíveis.

“Só se deve tomar crédito após calcular cada risco, seja para quitar uma dívida ou para alavancar um negócio. As incertezas em relação ao futuro têm que ser levadas em conta”, frisa.