O coordenador do Núcleo de Apoio Regional do Instituto Estadual de Florestas (IEF) em Passos e policiais ambientais de Cássia, ambas cidades no Sul de Minas, são alvo de operação do Ministério Público de Minas Gerais nesta quinta-feira (20). Eles fazem parte de um grupo que é investigado por delitos contra a administração pública (corrupção, falsidade ideológica e prevaricação) e meio ambiente (desmatamento e parecer falso ou enganoso), além de associação criminosa. 

A operação, batizada de "Mato Moiado", conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e, pelas Promotorias de Justiça dos municípios, estão cumprindo 11 mandados de busca e apreensão em Cássia (5), Passos (5) e Botelhos (1).

Conforme o MPMG, um desses mandados foi cumprido no Núcleo Regional do IEF, em Passos, além de dois mandados de medidas cautelares diversas da prisão - ações que restringem direitos, mas não impedem a liberdade do investigado.

Investigação

As investigações conduzidas pelo MPMG apontaram que o comandante do destacamento da Polícia Militar de Meio Ambiente (PMMA), de Cássia, solicitava ajuda financeira a empreendedores e produtores a pretexto de que seria para custeio de despesas do quartel, mas se apropriava dos valores. 

"Junto com outro policial do destacamento, o comandante teria recebido propina para ‘autorizar’ intervenções ambientais ilícitas e garantir que não haveria fiscalização pela PMMA. Após comprarem a garantia de que não seriam fiscalizados, empreendedores e produtores rurais da região ficavam à vontade para lesarem o meio ambiente”, destacam os promotores de Justiça.

Os trabalhos de investigação tiveram início há cerca de um ano e meio. "A intenção do grupo era  auxiliar produtores e empreendedores a escaparem dos rigores da lei ambiental, os mesmos policiais militares indicavam a seus ‘clientes’ os serviços de consultoria ambiental da esposa do Coordenador do IEF, de Passos, como garantia de que, com a sua contratação, teriam facilidades no IEF”, explicou o MPMG, em nota.

Coordenador do IEF

Um coordenador do IEF em Passos está sendo investigado por possível recebimento de vantagem ilícita, por meio do escritório da esposa dele, para facilitar a obtenção de autorizações e regularizações ambientais para produtores e empreendedores que contratassem os serviços do referido escritório.

Desmatamento

Sobre o desmatamento, a investigação já teria comprovado um caso que envolve o desmatamento de 6,03 hectares (ha) de vegetação remanescente de Mata Atlântica, e 0,96 ha de floresta em área de preservação permanente, que atingiu uma nascente e a mata ciliar da cabeceira de um rio, na zona rural de Cássia. Outras suspeitas estão em análise.

A reportagem entrou em contato com o IEF e Polícia Militar, mas não obteve resposta. O coordenador do instituto de florestas não foi localizado. O espaço fica aberto para as instituições citadas no texto.