O rascunho da decisão da 20.ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP-20) trouxe como anexo um esboço do acordo a ser concluído em novembro de 2015 em Paris, na COP-21. Assim como o rascunho da decisão de Lima, o texto igualmente traz estampados os tópicos de divergência - explicitados como "opções" - que impedem o consenso. No caso do esboço do acordo de Paris, o confronto não se restringe apenas ao volume de emissões de gases do efeito estufa a ser reduzido até o fim do século, mas principalmente à cota que caberá a cada país.

Todos os 195 países presentes em Lima se dizem comprometidos a fazer o necessário para impedir que a temperatura média do planeta suba além de 2°C até 2100. O Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) informa que há 66% de chance de esse objetivo ser alcançado se houver corte de 40% a 70% de emissões mundiais de gases até 2050, com base nos registros de 2010, e se chegar a zero de gás carbônico no final do século. Essa fórmula é uma das mencionadas como "opção" para os negociadores do acordo de Paris. Outra "opção", menos ambiciosa, seria cortar até 50% as emissões em 2050 e "continuar a declinar".

Alguns países se mostram dispostos, publicamente, a abraçar a opção mais ambiciosa. Os Estados Unidos já se propuseram a reduzir em 83% suas emissões até meados do século, com base em dados de 2005. A União Europeia se comprometeu a cortar 40% até 2030, em relação às suas emissões de 1990. A China prometeu em Lima que apresentará uma oferta "ambiciosa". Mas suas posições podem vir a mudar no momento de fechar o acordo de Paris.

O esboço mostra que a divisão do mundo em dois blocos - desenvolvidos e em desenvolvimento, que inclui os emergentes - continua válida e profunda quando se trata de definir a cota que caberá a cada um. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.