A alta procura dos motoristas por combustível, desde o fim de semana, fez com que alguns postos de Belo Horizonte zerassem o estoque de combustível. No Posto Bola, no bairro Gutierrez, região Oeste da capital, a gasolina e o álcool esgotaram logo no início da manhã desta segunda-feira (3). O gerente do estabelecimento explicou que a média diária de venda é de 5 mil litros por combustível e que por causa da alta demanda os produtos acabaram.

No Posto Araponga, na avenida Brasil, no bairro Santa Efigênia, zona Leste da cidade, a gasolina acabou antes das 10 horas. Por dia, o posto atende aproximadamente 300 consumidores, mas entre sábado (1º) e domingo (2) a média ultrapassou os dois mil. No local, a fila de carros no fim de semana chegou a dobrar três quarteirões, o que provocou o desabastecimento. “A falta de gasolina não tem relação com problema na distribuição, e sim com a grande procura”, garantiu um frentista, que afirmou que o posto será reabastecido à tarde.

Já no Posto Riacho, na BR-381, bairro Riacho, em Contagem, na Região Metropolitana de BH, o gerente do estabelecimento explicou que a alta procura já zerou o estoque de álcool, mas ainda há gasolina e diesel. O Posto Rede Gás, na mesma cidade, também não tem álcool, restando apenas a gasolina aditivada, mas que já está no final. Responsável pelo posto disse que não há previsão para novo carregamento de combustíveis.

Dos 14 postos apurados pelo Hoje em Dia, seis apresentaram problemas no abastecimento no período manhã.

Fila

Os postos que têm combustível, assim como ocorreu no fim de semana, permanecem lotados. É o caso do Posto Mamãe, localizado na avenida do Contorno, no bairro Floresta. Lá, a fila dobrava o quarteirão. O motorista profissional Mário Gomes, de 71 anos, foi um que dos que enfrentou a fila, que tinha mais de 30 carros. Ele ficou por quase duas horas para conseguir abastecer o carro. "Ouvi boatos da greve e não quis arriscar ficar sem combustível", explicou.

Em outro posto, na avenida dos Andradas, o empresário Wesley Santos também teve transtorno para abastecer. Ele confessou que só entrou na fila porque o carro já estava quase zerado. "Foi a primeira vez que enfrentei uma fila desse tamanho", observou. O administrador Carlos Noronha também foi obrigado a enfileirar o carro atrás de vários outros para conseguir comprar gasolina. Ele credita a alta procura aos boatos espalhados na web.

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Posto da avenida Brasil ficou sem gasolina na manhã desta segunda-feira

Estado de greve

O Sindicato dos Transportadores de Combustíveis e Derivados do Petróleo de Minas Gerais (Sindtanque-MG) declarou, desde a meia-noite desta segunda, estado de greve.

O chamado estado de greve é uma situação aprovada pelos trabalhadores, alertando aos governantes que a qualquer momento eles poderão deflagrar uma greve. Mas por enquanto os tanqueiros, que transportam diesel e gasolina, seguem com o abastecimento em todo Estado e em negociação com a BR Distribuidora, com o governo federal e com outras distribuidoras.  

O Sindtanque quer o cumprimento da Lei do Frete, que instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, e a redução do preço do diesel. Caso não haja acordo nesse sentido, a categoria afirma que vai parar as atividades.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro) se manifestou sobre a corrida aos posto de gasolina no fim de semana por meio de nota publicada em seu site. Segundo o sindicato, a intensa busca por combustível pode, de fato, acelerar a baixa no estoque dos estabelecimentos, “pois, apesar de possuírem estrutura de armazenamento, alguns postos não se prepararam para receber grande demanda em um espaço curto de tempo”.

A reposição dos estoques depende de vários fatores de logística, como refinarias, companhias distribuidoras e transportadores, segundo o Minaspetro. O sindicato diz ainda que está ciente do estado de greve estabelecido pelo Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustível e Derivado de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sinditanque-MG); mas não há, até então, informação de dificuldades no abastecimento dos postos em qualquer região de Minas Gerais. 

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Fila de carros ao longo da avenida do Contorno para conseguir abastecer

 

Lei do Frete 

Conforme o Sindtanque, uma das principais reivindicações da categoria é o cumprimento da Lei 13.703/2018, conhecida como Lei do Frete. Ela foi sancionada em 8 de agosto e instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Mas os tanqueiros reclamam que as regras não estão sendo cumpridas. 

"Desde a publicação da lei, por falta de fiscalização, os transportadores, de todos os setores, vêm amargando grandes prejuízos, pois os embarcadores têm se recusado a obedecer a tabela de frete mínimo. Exemplo disso é a própria BR Distribuidora, que reduziu o frete em mais de 20% em seus leilões”, justifica o presidente do Sindtanque-MG, Irani Gomes. 

Ele também critica o aumento de 13% no preço do diesel, nas refinarias, anunciado pela Petrobras no dia 31 de agosto. “Mesmo com o aumento do preço do petróleo no mercado internacional, o governo tem que cumprir a Medida Provisória 838/2018 e manter a subvenção de R$ 0,46 no valor do diesel até o final do ano”, cobrou. 

A reportagem procurou pela BR, distribuidora da Petrobras, e aguarda retorno. 

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