Embora acordo da Vale garanta manutenção do emprego ou salário dos trabalhadores de oito minas até abril de 2020, a companhia começou a dispensar parte dos empregados. Em apenas três dias da semana passada, pelo menos 25 funcionários da mina Fábrica, em Congonhas, no Campo das Vertentes, foram afastados da companhia. Sindicato Metabase Inconfidentes, que representa os trabalhadores, teme que outras pessoas sejam desligadas, impactando no setor e na economia dos municípios.

“Como a empresa não precisa informar ao sindicato essas demissões, é possível que o número seja ainda maior”, afirma o presidente do Sindicato Metabase Inconfidentes, Rafael Ávila. A mina Fábrica possui cerca de 1,2 mil empregados.

Na avaliação do sindicalista, o fato de a legislação mineira estar mais restritiva com relação às barragens após as tragédias de Mariana, em 2015, e Brumadinho, em janeiro, faz com que a empresa foque em outras operações, como as do Pará. “Acreditamos que a Vale possa estar se preparando para uma reestruturação das operações em Minas Gerais”, diz Ávila. 

Desde a semana passada, o sindicato aguarda um posicionamento da empresa sobre as demissões. Na segunda-feira, a companhia aceitou conversar com os funcionários. Uma reunião será realizada hoje, na sede dos representantes dos trabalhadores, para discutir o assunto. 

“É um clima de terror. As minas estão paradas, mas os empregados vão para a empresa fazer pequenos serviços. Limpam, dão manutenção, aguardam uma decisão sobre o futuro deles”, comenta. 

Na avaliação do professor do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal de Minas Gerais (Ufop), Hernani Mota de Lima, a Vale está “cortando a gordura”.

“Os empregados que vão para as minas e não têm função acabam gerando um custo para a empresa. Tanto que muitos foram direcionados para outros locais, como Carajás, no Pará, e Moçambique, na África”, pondera.

Os municípios também estão preocupados com a possível dispensa dos empregados. Estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), aliás, aponta que, em um cenário otimista,a paralisação das minas operadas pelas companhias que atuam no Estado possa culminar no fechamento de mais de 600 mil postos de trabalho no médio prazo, em todos os setores, reduzindo em mais de R$ 11 bilhões a massa salarial da população mineira. O motivo é a dependência de Minas da atividade extrativa mineral. 

Como reflexo, os municípios podem amargar perdas significativas. Para evitar o problema e entender melhor situação, a Associação dos Municípios Mineradores (Amig) vai realizar um levantamento das demissões no Estado, conforme nota enviada pela assessoria de imprensa. 

“A Amig está se inteirando sobre as circunstâncias que envolveram as demissões, que podem ter sido desencadeadas por motivos variados. A Associação solicitou um levantamento sobre o ocorrido, para então se pronunciar sobre o assunto”, diz o texto.