O Corvette é um automóvel que está no mercado há quase 70 anos. Trata-se de um carro recheado de tradições e elementos que passam de geração em geração. Um deles é o teto do tipo Targa. Ele permite a remoção parcial, mantendo as colunas e o para-brisas traseiro fixos. Apenas a porção sobre os bancos é removida. A Porsche foi precursora nesse conceito com o 911 Targa.

E o nome faz alusão à corrida de estrada italiana Targa Florio (disputada na Sicília entre 1906 e 1977). E desde a terceira geração do Corvette esse tipo de teto se tornou obrigatório no esportivo, inclusive na geração Stingray C8, apresentada em julho, que pela primeira vez adota motor central traseiro.

Agora a GM apresenta a versão conversível do C8, que recolhe o teto por completo, por acionamento elétrico. Aliás, ser conversível é outra tradição desse carro. Afinal, a geração de estreia era oferecida apenas como conversível.

Spider americano
Se o modelo já estava sendo chamado de a Ferrari de Detroit, por instalar o V8 atrás dos bancos, não seria exagero batizá-lo de Corvette “Spider”, em alusão aos conversíveis de Maranello. Isso porque o C8 Convertible recorre ao mesmo recurso de engenharia da berlinetta italiana, mantendo elevações laterais, que atuam como santo-antônio e servem de base para acomodar o teto.

Isso se faz necessário pois ao contrário das gerações passadas, o conversível passa a utilizar teto rígido retrátil e não mais o teto de tecido, que permitia o recolhimento completo, mantendo a seção traseira plana. Fechados, cupê e conversível chegam a confundir. A diferença é que a versão “fechada” conta com para-brisa elevado, que deixa o motor à mostra. No caso do conversível, o tampo do cofre é plano, sem vidro. Até nisso, os designers de Detroit fizeram como a Ferrari.

Para reduzir a turbulência na cabine, o pequeno para-brisas traseiro serve como barreira de ar. Ele se eleva em altas velocidades para conter a recirculação.

Motor
Atrás dos bancos, o C8 Stingray Convertible repousa o mesmo motor LT2 V8 6.2 de 495 cv e 63,7 mkgf de torque. Trata-se de uma atualização da unidade, que por aqui equipa o Camaro, para ser montada na posição central traseira. A transmissão é automatizada de dupla embreagem e oito marchas. A tração segue apenas na traseira, como deve ser todo muscle car norte-americano (assim como na Ferrari).

Mas a grande diferença entre o Vette e os Cavallinos é o preço. São US$ 67.500 do americano, contra US$ 289 mil do italiano. Nessa hora a linhagem pesa!