Além de milhares de mortes e internações e de inúmeros prejuízos econômicos, a pandemia da Covid-19 também tem sido responsável pelo crescimento dos abusos cometidos por empresas contra o consumidor. Pesquisa nacional divulgada ontem - Dia Mundial do Consumidor - pelo Instituto de Defesa da Consumidor (Idec) mostra que, para 64% dos entrevistados, o desrespeito aumentou em tal tipo de relação após achegada da crise sanitária. Os principais problemas foram detectados nas transações com companhias aéreas e nas compras por meios digitais.

O levantamento aponta que os desrespeitos mais citados foram: dificuldade de cancelar serviços ou devolver/trocar produtos (19%); cobrança indevida (17%); venda de produto danificado, estragado ou alterado (15%); não oferta de nota fiscal ou garantia (14%); e atendimento inadequado (13%). 

Em Minas, o Procon da Assembleia Legislativa também registrou elevação nas reclamações de consumidores. Para o diretor do órgão, Marcelo Barbosa, a explosão do e-commerce durante a pandemia deu margem para que estelionatários agissem, usando de má fé para vender produtos e serviços que sequer existiam. 

“Muitos consumidores acabaram sendo seduzidos por promoções e ofertas que, de tão tentadoras, continham indícios de que eram, de fato, uma grande dor de cabeça”, explica Barbosa.

A pesquisa do Idec aponta ainda que 94% dos entrevistados afirmaram ter “algum” conhecimento sobre direitos do consumidor. Apenas 15%, contudo, disseram ter domínio mais consistente do assunto e outros 6% alegaram que não saber quais são os direitos. 

Para advogada e especialista em direito do consumidor Lilian Salgado, é justamente a falta de conhecimento sobre o que a legislação prevê que faz com que muitas pessoas sejam lesadas, e sem requerer reparo. “A grande maioria dos consumidores que busca que seus direitos obtém êxito. E, em muitos casos, nem é necessário judicializar a questão, já que pode bastar um contato com a empresa contratada. Mas, infelizmente, a maioria dos brasileiros ainda não sabe disso”, afirma a advogada.

Voos cancelados ou remanejados durante a crise ao longo de 2020 e em 2021, em razão, por exemplo, de medidas sanitárias em diferentes cidades para conter o novo coronavírus, levaram consumidores a grandes prejuízos 

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