Auditores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais afirmaram, nesta quinta-feira (28), em reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), criada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para apurar o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana Grande BH, que a Vale teria ignorado os riscos que resultaram na tragédia.

A barragem da Mina do Feijão se rompeu em 25 de janeiro, deixando, até o momento 216 mortos e 88 desaparecidos.

Uma investigação preliminar do órgão aponta a presença de canaletas assoreadas e trincadas, drenos danificados pelo trânsito e até gado circulando sem controle dentro da barragem, dados conflitantes de radar e ainda negligência com a segurança.

“Não dá mais para manter a mesma metodologia, sem uma análise profunda”, disse aos deputados o auditor fiscal Mário de Faria. Ainda de acordo com o auditor, o que se vê hoje, após a tragédia de Brumadinho, é “um derretimento das barragens. O que aconteceu? Não estavam todas seguras até dezembro? Tem alguma coisa errada nisso tudo”, concluiu.

Os fiscais também denunciaram a escassez de profissionais, que dispõe de apenas 25 auditores para fiscalizar 37 normas de saúde e segurança em todo o Estado.

Ainda durante as oitivas desta quarta, a defensora pública da União, Lúcia Helena de Souza Queirós, disse que dois meses antes do rompimento, a mineradora havia feito um levantamento de possíveis perdas humanas e materiais em caso de desastre. “Então, a empresa sabia dos riscos, da iminência do rompimento”, denunciou.

A defensora também acusa a Vale de omitir informações sobre o desastre. “Tive que bater pé para conseguir levantar o mínimo de informações para atender as pessoas. O acolhimento inicial não podia ficar sob a responsabilidade da Vale”, criticou Lúcia Helena.

Lucros X segurança

O deputado André Quintão (PT), relator da comissão também apresentou dados sobre lucro e faturamento da Vale que, que de acordo com ele contrastam com os poucos recursos aplicados na segurança das barragens” O lucro líquido da mineradora em 2018 foi da ordem de bilhões de dólares, enquanto os investimentos em segurança de barragens apresentaram queda de 1,64%”.

Já o autor do requerimento para instalação da CPI, deputado Sargento Rodrigues (PTB),disse que falta uma fiscalização mais criteriosas dos órgãos públicos e informou que não vai permitir a presença de consultores da Vale fazendo lobby dentro da Assembleia. “É muito atrevimento. Não vamos abrir mão de um trabalho sério e honrado”, concluiu.

A reportagem do Hoje em Dia entrou em contato e aguarda um posicionamento da Vale.

*Com ALMG

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