Divulgada ontem, véspera de mais um anúncio da prefeitura da capital sobre a flexibilização ou não das atividades econômicas, pesquisa do Sindicato do Comércio Lojista de Belo Horizonte (Sindilojas-BH) e de outras 14 entidades patronais de Minas evidenciou ainda mais o aperto vivido pelo setor, em razão da Covid-19. 

Conforme o levantamento, quase a metade dos comerciantes mineiros que buscaram diferentes linhas de crédito especiais chanceladas pelos governos para enfrentamento da pandemia, de 16 a 22 deste mês, não obtiveram sucesso em nenhuma. 

Segundo o levantamento, que envolveu 423 empresários – dos quais 223 tentaram os financiamentos com condições diferenciadas –, os maiores insucessos foram na busca por recursos para capital de giro oriundos de agências de fomento e disponibilizados em bancos públicos e privados.

No caso do dinheiro oferecido para a referida linha pelo BNDES, do governo federal, por exemplo, 52% dos comerciantes tentaram crédito, mas só 1% obteve êxito. “É muito pouco e prova que o dinheiro barato do BNDES não está chegando aos empresários”, diz o presidente do Sindilojas-BH, Nadim Donato.

“Além disso, fizemos uma consulta ao site do banco: nos últimos três meses, só 300 empresas do Estado conseguiram recursos. Já o BDMG, aqui do Estado e que também fez a oferta de linhas diferenciadas na pandemia, realizou apenas seis operações no período”, completou Donato. Para o dirigente, a conclusão é de que dificuldades na obtenção dos recursos têm sido deliberadamente impostas pelo sistema bancário. 

Seria o caso do excesso de burocracia e da exigência exagerada de contrapartidas. “Os bancos não querem emprestar barato. Querem é usar suas próprias linhas de crédito, mais caras, com juros de 20%, 25%, 30% ao ano. É um absurdo”, afirmou. 

O presidente do Sindilojas-BH ressaltou ainda que, para solucionar o problema, o governo deveria fazer com as empresas o mesmo que tem feito com os trabalhadores informais e outras pessoas físicas sem renda, durante a pandemia: passar-lhes os créditos especiais, de até 30% do faturamento de cada uma, diretamente para as respectivas contas: um “coronavoucher” empresarial. 

Não faltam exemplos de comerciantes que se frustraram ao buscar crédito para encarar prejuízos na pandemia. Antônio Carlos Costa, de 62 anos, franquiado dos calçados Usaflex na capital, teve pedido de capital de giro negado, segundo ele, em razão de uma regra adotada no banco oficial onde tem conta.

“Eles dizem que 80% dos recursos oferecidos são para quem fatura até R$ 360 mil no ano e 20% para quem fatura mais”, disse ele, que está com a loja em shopping fechada há 100 dias, mas reabriu a de rua, na Savassi, neste mês. “Assim, a liberação fica impossível. Sem esse capital, infelizmente, posso ter de fechar as duas lojas, demitindo 16 funcionários”.

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